Um dia após a Tribuna publicar reportagem denunciando o avanço da violência no Bairro Parque das Águas, formado a partir de um conjunto habitacional do programa "Minha casa, minha vida", os 19 vereadores de Juiz de Fora aprovaram um requerimento do presidente da Casa, vereador Júlio Gasparette (PMDB), convocando todos para visitar o local na próxima terça-feira. Ainda devem integrar a comitiva a convite da Mesa Diretora um representante da Caixa Econômica Federal, financiadora do empreendimento, os secretários de Governo, José Sóter de Figueirôa Neto, de Assistência Social, Flávio Cheker, e de Educação, Weverton Vilas Boas, além do diretor-presidente da Emcasa, Luiz Carlos dos Santos. A proposta dos parlamentares é conversar com os moradores para saber de suas carências e ainda avaliar a qualidade das moradias.
A situação do bairro foi motivo de debates acirrados entre os vereadores durante a sessão. Para Wanderson Castelar (PT), que havia convocado uma audiência pública para tratar da questão em novembro do ano passado, a forma de implantação do projeto durante a gestão Custódio Mattos (2009-2012) foi equivocada. "A sensação é de que aquelas pessoas foram colocadas lá às pressas, sem acompanhamento social." Ele também questionou o fato de o prefeito Bruno Siqueira (PMDB), mesmo após cinco meses de Governo, ainda não ter se voltado para a questão. "Há certas coisas para quais não de deve fazer economia. As pessoas que estão lá não podem esperar." No mesmo contexto, Ana Rossignoli (PDT) cobrou a criação de creche, escola e unidade de saúde no bairro.
O líder do Governo, Luiz Coelho (Pardal, PTC), reconheceu a necessidade de atenção não apenas para o Parque das Águas, mas também para outros bairros criados a partir do projeto "Minha casa, minha vida". Especificamente em relação ao Parque das Águas, ele informou que, em entrevista pela manhã, o prefeito havia anunciado a conclusão da creche e de uma escola no bairro. Logo em seguida, Rodrigo Mattos (PSDB) disse que não só a creche e a escola, mas também uma unidade de saúde, que foram iniciadas durante a gestão passada, tiveram as obras suspensas devido a problemas da empresa responsável. O tucano argumentou ainda que, mesmo com deficiências de infraestrutura do local, a maioria dos moradores estava morando em condições inferiores antes de irem para o Parque das Águas.
Além da visita ao Parque das Águas, na terça-feira, a questão da violência nos empreendimentos do "Minha casa, minha vida" voltam à pauta da Câmara no próximo dia 5 de junho, em uma nova audiência pública convocada por Vagner de Oliveira (PR) para abordagem do novo loteamento do programa, com 700 moradias, entre os bairros Grama e Filgueiras. Para tentar normatizar obras dessa natureza, Zé Márcio (PV) apresentou projeto de lei prevendo a instalação de infraestrutura necessária básica como condicionante para inauguração dos empreendimentos.
