Numa tentativa de encerrar a greve dos professores da rede estadual de ensino, que já dura 74 dias, o Governo de Minas anunciou ontem mudanças na política salarial dos docentes, a fim de beneficiar principalmente os profissionais de educação com mais tempo de serviço. Entre as modificações, explicadas pelas secretárias de Educação, Ana Lúcia Gazzola, e de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena, está o novo posicionamento dos servidores na tabela de subsídios. Com a proposta, que será enviada à Assembleia Legislativa, quanto mais tempo o professor tiver de serviço, melhor será sua posição na tabela e maior vai ser o aumento no salário. O nível de escolaridade do profissional também vai contar para aumentar a posição na tabela. Caso seja aprovado pela Assembleia, o reposicionamento começa no dia 1º de janeiro de 2012.
Outra alteração com o novo modelo proposto é o fim do retrocesso nas gratificações por tempo de trabalho do docente que fizesse mestrado, por exemplo, o qual, com o avanço da escolaridade, era obrigado a voltar para o início da tabela de tempo de serviço. Além disso, o Governo está estendendo novamente, até 31 de outubro, o prazo para que os educadores optem pelo subsídio ou pela antiga remuneração. Todos os servidores que optarem pelo modelo de subsídio vão receber um aumento de 5% em abril de 2012, numa antecipação da data base que seria em outubro do ano que vem. Mesmo assim, a categoria decidiu ontem manter a greve por tempo indeterminado. O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE) disse que as mudanças apresentadas pelo estado não atendem à categoria, porque o piso salarial da classe não foi alterado. Na manhã de ontem, em Juiz de Fora, alunos do Instituto Estadual de Educação protestaram em frente à escola em defesa dos docentes. Já à tarde, representantes da subsede do Sind-UTE ocuparam a Tribuna Livre da Câmara e pediram apoio dos vereadores.
