Em meio às denúncias de corrupção no Ministério do Esporte – e que atingem Juiz de Fora, com suspeitas de irregularidades em convênios com o Instituto Cidade para execução do programa Segundo Tempo -, o secretário nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social, Wadson Ribeiro (PCdoB), disse ontem à Tribuna que não tem nada a temer. Nos últimos cinco anos, período que coincide com a presença de Wadson no segundo escalão da pasta federal, foram repassados mais de R$ 13 milhões para programas e produção de materiais esportivos no município, dos quais R$ 9,4 milhões foram destinados à entidade, cuja direção integra os quadros do PCdoB. Desse montante, R$ 4,3 milhões foram para o Segundo Tempo – carro-chefe do ministério e principal alvo das acusações – e o restante para uma fábrica de bolas e itens esportivos que o Governo federal encaminha para escolas públicas e outros projetos em âmbito nacional. O comunista destacou, no entanto, que o primeiro convênio firmado com o Instituto Cidade data de 2006, antes de sua entrada no Esporte, embora o valor fosse bem mais modesto, em torno de R$ 370 mil. "Os convênios não foram firmados por eu ser de Juiz de Fora nem por ser do PCdoB. O que está havendo é uma caça aos direitos políticos dos cidadãos, que cria uma versão à política na sociedade", rebateu. "Dos 232 convênios que existem hoje no ministério, apenas 19 são com entidades privadas. Não são entidades do PCdoB. Os outros 213 são com prefeituras. Quantas prefeituras o PCdoB tem no Brasil? São prefeituras de diversos outros partidos, incluindo o PSDB em Juiz de Fora. Não nos movemos por essa lógica."
Questionado sobre as razões de ter sido renovado o convênio com o Instituto Cidade quando o anterior já estava sob suspeição, o secretário de Esporte alegou que, em 2009, quando a renovação foi feita, a cidade acabara de passar por uma crise política – com os escândalos que culminaram nas duas prisões e na renúncia do ex-prefeito Alberto Bejani (PSL) no ano anterior -, o que impossibilitava o Ministério do Esporte de conveniar com a Prefeitura. "O Instituto Cidade foi a entidade que se apresentou. Eu era o gestor e apontei os problemas nos relatórios. Se não tivesse total independência, minha postura teria sido outra. As questões foram levantadas no nosso relatório. Nós observamos os problemas." O documento que embasou a denúncia da Tribuna, contudo, data de junho de 2010 e foi assinado por Gianna Lepre Perim, na ocasião, substituta no comando da Secretaria nacional de Esporte Educacional.
Tranquilidade
Nessa data, Wadson já tinha se desincompatibilizado para concorrer a uma vaga de deputado federal. O parecer em questão destaca o cumprimento parcial do convênio 381/2007 e recomenda encaminhar a prestação de contas final para a Coordenação Geral de Prestação de Contas (CGPCO) do Ministério do Esporte "para uma análise financeira e contábil quanto à correta aplicação dos recursos públicos, cabendo avaliar, inclusive, quanto à necessidade de restituição de recursos ao Erário". Demonstrando tranquilidade, Wadson afirmou que irá proceder com o Instituto Cidade como com qualquer convênio no Brasil. "Se não estiver batendo, terão que devolver recursos públicos. O que não posso fazer é que morram de véspera, sendo que o último convênio se encerrou em setembro, e há 60 dias de prazo para prestação de contas." O parecer, entretanto, se refere ao convênio anterior, expirado em janeiro do ano passado. De qualquer forma, segundo o comunista, a nova decisão de gestão do ministério é de que não sejam mais firmados convênios com entidades privadas, apenas com prefeituras, governos estaduais e entidades federais, como universidades.
Sobre o aspecto macropolítico da crise que assola o Ministério do Esporte, com denúncias diretas contra o ministro Orlando Silva, Wadson reiterou o discurso do partido e destacou o aumento da importância – e, consequentemente, do interesse – adquirida pela pasta com o grande volume de recursos e obras, na iminência de eventos esportivos do porte da Copa 2014 e das Olimpíadas de 2016. "É uma luta política grande, mas estamos resistindo. Estou muito seguro."
