
PC recolhe documentos e computadores de escritório no Centro
A Justiça Federal, em Brasília, decidiu ontem à noite (21) não prorrogar a prisão temporária do advogado e ex-vereador Josemar da Silva e dos outros três presos pela Polícia Federal, na última quinta-feira, durante a Operação Trucatto. Segundo o advogado de Josemar, Fabrício Rocha, o prazo para a prisão temporária, de cinco dias, expirou ontem, e a Justiça achou por bem não renová-lo. "Agora vamos aguardar o posicionamento da Polícia Federal no que tange ao indiciamento, e do Ministério Público Federal, no que tange à denúncia formal, para estruturarmos a defesa", esclareceu Rocha. A liberação do ex-vereador, preso no Ceresp sob suspeita de integrar esquema de fraudes em licitações públicas, ocorreu no mesmo dia em que a Polícia Civil cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em empresas constituídas de maneira supostamente fraudulenta.
A operação, desencadeada a partir de relatório da Receita Estadual, investiga dez firmas. Entre elas estão todas as reveladas pela Tribuna no último sábado, cujos sócios mantém ligação com Josemar. O delegado Carlos Eduardo dos Santos Rodrigues, titular da 6ª Delegacia de Polícia Civil, já tem informações de que o escritório da Dicaciel Telemed Comercio Representações, Equip Médicos e Informática Ltda., com capital social de R$ 6 milhões (conforme dados da Junta Comercial de Minas Gerais e da Receita Federal), funcionaria como uma espécie de central de movimentação de várias empresas e de pagamento de contratos. No imóvel, localizado na Avenida Rio Branco, dezenas de talões de cheques e cópias de cheques emitidos foram apreendidos e incluem o nome de outras empresas suspeitas: Star Segur, Ao Vivo Teleinformática Multimídia e Comércio, Instituto de Pesquisa e Elaboração de Projetos e Planos Integrados (Ipeppi) e Atran II.
"A administração da maioria das empresas do grupo era feita neste escritório da Rio Branco", afirmou o delegado. Segundo Carlos Eduardo, o CPF dos sócios e o CNPJ das empresas sob suspeita serão encaminhados ao laboratório de lavagem de dinheiro da Polícia Civil, em Belo Horizonte, a fim de que seja feito cruzamento da movimentação financeira. Outras empresas que não têm relação com o Caso Josemar também estão sendo investigadas nesta operação, que terá novos cumprimentos de mandado de busca e apreensão.
Apesar do envolvimento de outros grupos, a maior documentação apreendida foi na Dicaciel, que tem como sócia Joana D’Arc, que também teve prisão temporária decretada na Operação Trucatto. Apesar de deter R$ 3 milhões em participação, Joana D’Arc foi contratada como funcionária pela Star, pela Ipeppi, pela Atran II e pela Lumentel. Na Dicaciel, a Polícia Civil identificou cópias de recentes transferências bancárias da Star para Lumentel, no valor de R$ 180 mil, e da Star para a Dicaciel, no valor de R$ 5 mil. Também há cheques emitidos em nome da Ipeppi, Atran II Fundo de Apoio Ltda. e Diretriz. Também recolheu papéis com contabilidade informal, feita em computador, indicando que pode haver mais de R$ 1 milhão em uma das contas bancárias da Star. O delegado também chama a atenção para o fato de os endereços das sedes serem diferentes dos encontrados em cópias de nota fiscal e nas informações declaradas pelas empresas na Receita Estadual. "Além disso, o cruzamento de CPFs indica que a mesma pessoa entrou e saiu várias vezes de empresas diferentes. Em outra situação, há notas fiscais da mesma empresa, emitidas no mesmo mês, porém com sedes diferentes", observou Carlos Eduardo. A presença de uma mesma pessoa no quadro societário de empresas diferentes também foi apontada pela Tribuna em matéria publicada no último sábado.
De acordo com o delegado, toda a documentação apreendida passará por análise. "O próximo passo será a identificação das pessoas envolvidas. Elas serão ouvidas na delegacia", explicou.

