Nova York (AE) – Efetivado no cargo há 22 dias, o presidente Michel Temer disse ontem que o Brasil vive um momento de “estabilidade política extraordinária”, depois de passar por um “brevíssimo período” de turbulência. Falando a uma plateia de empresários e executivos reunidos em Nova York, Temer pediu que eles não “titubeiem” e invistam no Brasil, especialmente nos projetos de infraestrutura anunciados por seu Governo.
O presidente insistiu que sua administração tem apoio no Congresso para aprovar o teto de aumento de gastos públicos, as mudanças na legislação trabalhista e uma “radical” reforma da Previdência. Temer disse que a estabilidade política gera segurança jurídica, um dos requisitos necessários para a realização de investimentos.”Nós temos alardeado que, lá no Brasil, o que for contratado será cumprido”, afirmou em evento promovido pela Americas Society/Council of the Americas. “No Brasil hoje nós temos estabilidade política extraordinária por causa da relação muito adequada entre o Executivo e o Legislativo.”
Antes do discurso a cerca de 300 empresários, investidores e analistas de mercado, Temer teve uma reunião fechada com 35 presidentes de grandes empresas americanas que possuem investimentos no Brasil. “Quando eu venho aqui, eu venho para convidá-los a participar desta nova fase de crescimento do país, ancorados primeiro na ideia de estabilidade política, que já se estabeleceu. Segundo, na segurança jurídica de todas as contratações e, terceiro, no potencial do mercado brasileiro”, declarou Temer. O presidente afirmou que a proposta de emenda constitucional que estabelece teto para aumento dos gastos públicos será votada até o fim do ano. Como sinal de apoio à medida, ele relatou ter recebido telefonemas de três líderes partidários que haviam decidido fechar questão em torno do tema.
Em um sinal de que a sociedade brasileira está menos pacificada do que sugeriu o presidente, três grupos protestavam em frente ao hotel em que o evento foi realizado: um se manifestava a favor de seu Governo e outro contra. Entre eles, estavam funcionários do Ministério das Relações Exteriores que estão em greve desde agosto.
