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Alianças indefinidas na Câmara

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Pouco antes das eleições de 2008, a Câmara Municipal votou contra a elevação no número de cadeiras do parlamento de 19 para 21, rejeitando o argumento de aumento da representatividade defendido pelo então vereador Eduardo Freitas (PDT) – que nem interesse direto no caso tinha, já que decidiu trocar o cargo de legislador pelo de vice-prefeito. A maioria, no entanto, mesmo concorrendo à reeleição, optou por bater o pé na manutenção da quantidade de vagas. Um deles foi o ex-vereador Vicente de Paula Oliveira (Vicentão, PTB), na época ainda presidente da Casa, cuja sigla, meses depois, não atingiu o quociente eleitoral. Se, na ocasião, houvesse mais duas cadeiras em disputa, Vicentão, a despeito de todo o escândalo de corrupção envolvendo a Koji Empreendimentos e de um processo de cassação aberto, teria sido eleito.

A lembrança não deixa de valer como anedota. Embora a questão do aumento do número de vagas já tenha sido rejeitada uma vez mais no ano passado, sempre paira no ar do Palácio Barbosa Lima um certo fantasma da não reeleição quando se aproxima o momento de montar chapas e compor alianças para o pleito proporcional. Há quatro anos, em meio a uma crise política que assolou Câmara e Prefeitura, a renovação no Legislativo foi de quase 58% e apenas oito vereadores permaneceram na Casa de uma legislatura para a outra. Além disso, dos 11 que entraram, nada menos do que nove – quase metade do parlamento – nunca tinham exercido qualquer mandato. Neste ano, ainda que sem ocorrências de escândalos de corrupção do porte dos de 2008, grande parte dos atuais parlamentares aposta, nos bastidores, numa renovação que deixe de dez a doze deles sem mandato no ano que vem. A questão, que os assusta e tensiona as relações até mesmo entre colegas de bancada, é saber quem.

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A pouco mais de dois meses do início da campanha, as dez legendas que hoje têm representantes no Barbosa Lima já se articulam, se não para manter os mesmos nomes na Casa, ao menos para, apesar do desejo unânime de aumentar suas bancadas, assegurar o exato número de cadeiras que ocupam no presente. Como há ainda um período hábil para que as negociações prossigam, a maioria das siglas prefere preservar o sigilo quanto ao andamento das conversas. É certo, porém, que, à exceção do PSDB, do DEM e do PP, os outros partidos com mandato estão buscando aliados fora do atual Legislativo. A começar pelo PMN do vereador Isauro Calais, que, ao desistir da pré-candidatura à PJF e admitir dialogar tanto com petistas, peemedebistas e socialistas, que são as vozes da oposição hoje, quanto com tucanos, está – até que tome a decisão sobre qual candidato majoritário seguir – isolado no rol de composições. De acordo com Isauro, a sigla já tem em vista um partido aliado fora da Casa, para compor sua chapa, mas a estratégia é não revelar qual para que ele não seja aliciado por outra legenda. Sabe-se apenas que se trata de uma sigla pequena.

 

Legendas que correm por fora

Na outra ponta, também fora do miolo mais confuso e negociando por fora, está a dupla PTC e PSC. Na última eleição, o PTC se coligou com o PPS, mais expressivo que o nanico PTN que fez parte da chapa do PSC. Na época, o desempenho do primeiro chegou a surpreender, uma vez que um partido pequeno (ainda que ligado ao deputado Lafayette Andrada, PSDB), sem nenhum vereador, conseguiu eleger o novato Luiz Carlos dos Santos e fazer retornar à Casa o médico José Tarcísio Furtado. Já o PSC acabou perdendo uma cadeira, uma vez que, dos três vereadores que possuía anteriormente (José Emanuel de Oliveira, Rose França e Eduardo Novy), somente José Emanuel se reelegeu, acompanhado do novato Noraldino Júnior.

Ambas as siglas hoje têm dois vereadores e são, aproximadamente, do mesmo porte. Desde o início da atual legislatura, em janeiro de 2009, os dois partidos tiveram posturas convergentes e, muitas vezes, até unificadas, principalmente entre Luiz Carlos e Noraldino. Do ano passado para cá, contudo, os dois seguiram por caminhos diversos e, ao passo que Noraldino assumiu a liderança do Governo, Luiz Carlos foi se aproximando gradativamente da oposição (embora seu partido siga ligado a Lafayette). Com isso, se em algum instante tiver existido a mínima possibilidade de caminharem juntos eleitoralmente, ela parece ainda mais remota agora.

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"Teremos uma reunião com todos os filiados e pré-candidatos, mas ainda não há previsão nenhuma de coligação", desconversa Noraldino. "Tem alguns partidos com os quais conversamos, mas por enquanto queremos manter o suspense." O artifício também é utilizado por Luiz Carlos. "Ainda estamos num processo de conversas para, quem sabe, fazer uma coligação. É precipitado se posicionar agora, porque a chapa proporcional tem que caminhar junto com a aliança majoritária. Mas dentro do PTC conseguimos montar uma chapa bastante competitiva. O PTC é o único partido hoje que tem condições de fazer três vereadores", provoca, de olho no almejado aumento da bancada.

Numa situação um pouco diferente está o PDT. Atualmente, além de duas cadeiras na Câmara, a agremiação ocupa o segundo posto na hierarquia do município, com o ex-vereador Eduardo Freitas como vice-prefeito. Rumores correntes, desde o ano passado, apontavam o nome do presidente do partido e atual secretário de Administração da PJF, Vítor Valverde, como possível vice do prefeito Custódio Mattos (PSDB), mas nada está certo. Em relação à chapa proporcional, há apenas uma certeza: passado o prazo de desincompatibilização, Valverde não pode mais candidatar-se a vereador, como também foi cogitado. "Ainda não há nada conversado com outro partido. Não que seja do meu conhecimento", afirma o vereador José Fiorilo (PDT). Segundo ele, o presidente do PDT também atesta que não será candidato a vice, mas é provável que a dúvida persista até as convenções. Sendo ou não, os pedetistas fazem parte do Governo e estarão no chapão pró-Custódio. Na chapa proporcional, entretanto, a conversa é outra, pois o PSDB está praticamente fechado com o DEM e o PP.

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Chapa dos que têm mandato

Falta apenas o aval do PP para que a primeira – e única – chapa proporcional a se formar integralmente com partidos detentores de mandato hoje na Câmara se oficialize. Segundo o vereador José Laerte, que também é presidente do PSDB, a única sigla com a qual a aliança já está acertada é o DEM, do vereador João Evangelista de Almeida (João do Joaninho). "Conversamos ainda com o PP e com o PR. E também com o PRB, mas o Pastor Carlos (Bonifácio, presidente da Câmara), nos disse que sairão sozinhos ou farão outras coligações", explica o tucano. O PR está em conversas com o PPS e outras legendas e deve ficar de fora. No caso do PP, de acordo com a assessoria do vereador Francisco Evangelista, que se encontra de licença médica, a sigla está caminhando para fechar a aliança com tucanos e democratas. O partido recebeu outras propostas, mas o próprio Chico já conversou com o secretário de Governo do município, Manoel Barbosa, sobre a composição com o PSDB. A batida do martelo ainda depende, no entanto, de uma conversa entre Chico e o deputado Luiz Fernando Faria, que lidera a legenda na região.

A situação do PRB é mais complexa. Há quatro anos, a legenda ocupou o lugar hoje reservado ao PP e fechou coligação com democratas e tucanos. Os motivos da recusa para repetir a dose agora são dois. Nos corredores do Barbosa Lima, a informação corrente é de que a sigla do chefe do Legislativo estaria impossibilitada de uma aliança com o PSDB por força de decisão nacional, já que faz parte da base de sustentação da presidente Dilma Rouseff (PT). Por outro lado, também conforme as conversas de bastidor, haveria o receio, por parte do PRB, de entrar numa chapa que já tem cinco vereadores (José Laerte e Rodrigo Mattos, do PSDB, Chico Evangelista e Antônio Martins – Tico-Tico, do PP, e João do Joaninho, do DEM) e mais três ex-secretários municipais (Sueli Reis e Eduardo Schröder, do PSDB e Aristóteles Faria, do DEM). "Temos conversado com o PCdoB e também com o PR, mas não há nada definido. Não é possível repetir a coligação da última eleição, porque hoje temos outros pré-candidatos. Na época, o partido só tinha dois. Hoje temos 28. Não há como participar de um chapão", alega Carlos Bonifácio.

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Ainda que, politicamente, o presidente da Câmara seja mais próximo de Bruno Siqueira do que de Margarida Salomão, os pré-candidatos do PMDB e do PT, a possibilidade levantada por ele de uma aliança com os comunistas até pode aproximar a sigla da campanha petista, visto que PT e PCdoB, aliados históricos, já estão com as conversas adiantadas. O vereador Flávio Cheker (PT) pondera, todavia, que as negociações para a disputa proporcional ainda estão em stand by. "Em qualquer conversa nesse sentido é preciso que haja vantagem para os partidos e nenhum prejuízo para a coligação majoritária." O sonho da maioria dos petistas era contar com o apoio do PMDB, nem que fosse só na corrida à PJF. Flávio mesmo admite, contudo, que, dadas as circunstâncias, isso é praticamente impossível no primeiro turno. Entusiasmado com a pré-candidatura de Bruno, o vereador Júlio Gasparette garante que, no momento, não há conversas quanto a coligações proporcionais. "Vai depender muito do que o partido está conversando para a majoritária." A depender da situação atual, a tendência é que, na disputa de vereadores, peemedebistas sigam sozinhos.

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