Daqui a duas semanas, 392.619 pessoas, estarão habilitadas a irem às urnas em Juiz de Fora, e os 45 candidatos a cargos parlamentares se acotovelam por votos da cidade. Em um cenário irreal, sem abstenções, votos brancos e nulos ou para concorrentes de outros municípios, as médias entre número de eleitores e postulantes locais chegam a aproximadamente 20 mil votos para os 20 candidatos a deputado federal e 16 mil para os 25 nomes que tentam uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Tais números seriam insuficientes para garantir uma vaga em quaisquer dos parlamentos nas eleições de 2010, já que Rodrigo Moreira (PSL) foi o deputado federal eleito com a menor votação por Minas naquele ano – com 40.093 votos – e Fabiano Galletti Tolentino, o deputado estadual a conquistar mandato com o o menor número de eleitores, com 31.182 votos.
Se em uma eleição de caráter proporcional nem sempre a votação individual é suficiente para garantir um mandato, alguns candidatos de Juiz de Fora que disputam os eleitores na cidade podem servir como apoio para ajudar eleger um adversário. Essa relação de “inimigo íntimo”, por exemplo, pode ser observada dentro da própria Câmara Municipal, onde seis vereadores tentam uma vaga na Assembleia: Isauro Calais (PMN), Luiz Otávio Coelho (Pardal, PTC), Noraldino Júnior (PSC), Roberto Cupolillo (Betão, PT), Vagner de Oliveira (PR) e Wanderson Castelar (PT). Integrantes da mesma coligação, Noraldino e Pardal podem, de forma indireta, contribuir para a eleição do nome mais votado entre os dois. Ou de qualquer outro candidato da chapa Minas Melhor, já que, no atual sistema eleitoral, as vagas são distribuídas por meio do chamado quociente eleitoral, que é a votação necessária para que um partido ou coligação eleja um deputado estadual ou federal. Ou seja, as cadeiras – 53 para a Câmara dos Deputados e 77 para a ALMG – são definidas de acordo com o desempenho geral de cada chapa.
Além de Noraldino e Pardal, os companheiros de partido Betão e Castelar vivem a mesma situação, com o agravante de dividir os votos do PT na cidade, sob o risco de morrerem abraçados. Tal situação aconteceu em 2010, quando o partido lançou dois candidatos à Assembleia com domicilio eleitoral na cidade: Flávio Cheker e Gabriel dos Santos Rocha, o Biel. Somados, os dois postulantes amealharam 39.741 votos (21.882 de Cheker e 17.919 de Biel), número superior à votação de Maria Tereza Lara, que, com 37.442 votos, foi uma das deputadas estaduais eleitas pelo partido. Entretanto, acabaram sem um mandato, com suas votações contribuindo para eleger petistas de outros municípios. Num mesmo cenário estão Antônio Jorge (PPS), Lafayette Andrada(PSDB), Laurindo Rodrigues (PSDB) e Leonardo Moreira (PSDB), todos integrantes da coligação A Voz de Minas.
Pela Câmara, PT e PSDB têm estratégias distintas
Da mesma maneira, alguns candidatos locais à Câmara dos Deputados também poderiam ser beneficiados pela votação de colegas de chapa. Tentando a reeleição, o deputado federal Marcus Pestana (PSDB) ganhou um adversário de peso na disputa pelo eleitorado tucano na cidade, com a entrada do ex-jogador de vôlei Giovane Gávio (PSDB) nas eleições. Entretanto, uma boa votação do bicampeão olímpico pela Seleção Brasileira, que é considerado um nome com inserção em todo o estado, poderia contribuir para que o próprio Pestana afiançasse mais quatro anos em Brasília.
No outro ponto da polarização PT/PSDB, a deputada federal Margarida Salomão (PT) é a única candidata do Partido dos Trabalhadores na cidade, e, apesar da disputa com forasteiros, tende a aglomerar os votos da legenda em Juiz de Fora. A nova estratégia do partido pode ajudar a ex-reitora da UFJF a garantir sua primeira eleição, já que, em 2010, obteve uma boa votação, mas ficou como suplente com quase 80 mil votos, só assumindo o mandato em janeiro de 2012. Há quatro anos, o PT juiz-forano também lançou o nome do ex-deputado Paulo Delgado, que obteve 41.011 votos. Tal desempenho somado à votação de Margarida, seria suficiente para garantir ao diretório municipal da legenda um quadro no Congresso Nacional.
Tucanos com oapoio da maioria dos concorrentes
Diferente das pesquisas que têm apontado um cenário espinhoso nas ambições das candidaturas majoritárias do PSDB em chegar ao segundo turno das eleições presidencial e estadual, Aécio Neves (PSDB) e Pimenta da Veiga (PSDB) contam com o apoio da maioria dos candidatos a cargos legislativos por Juiz de Fora. Ao menos, quando se leva em consideração apenas o posicionamento de seus partidos nas coligações apresentadas para o pleito de outubro (ver arte).
Tentando chegar ao Governo de Minas e manter uma hegemonia tucana que já chega há 12 anos no poder, Pimenta conseguiu juntar 14 partidos em torno de seu nome. Ao todo, o blocão lançou 21 candidatos na cidade, mais que o dobro dos dez concorrentes lançados pelas cinco legendas que dão sustentação a seu principal adversário, Fernando Pimentel, líder nas pesquisas de intenção de votos para a sucessão estadual, com chances, inclusive, de vencer ainda no primeiro turno.
Da mesma maneira, Aécio conta com o apoio de 17 candidatos a cargo parlamentares da cidade e, ao menos neste quesito, fica à frente de Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB), candidatas melhores posicionadas nas últimas pesquisas de opinião pública. Em busca da reeleição, que também garantiria ao PT a manutenção da hegemonia à frente do Palácio do Planalto iniciada em 2003, durante o primeiro mandato do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, Dilma é apoiada por 12 postulantes ao legislativo por Juiz de Fora, o dobro dos “cabos eleitorais” candidatos de Marina Silva (PSB).
Distorções
O caráter distinto das eleições proporcionais e majoritárias e suas coligações independentes produz algumas distorções e determinados partidos apoiam grupos políticos opositores em âmbito estadual e outros na instância federal. É o que acontece, por exemplo, com o PSD e o PR, que integram a coligação que dá sustentação à Dilma, no cenário nacional, e a chapa de Pimenta da Veiga nas eleições estaduais. Em Juiz de Fora, as duas siglas lançaram os nomes de Marcos Aurélio Paschoalin (PSD), candidato a deputado federal, e o do vereador Vagner de Oliveira (PR), que mira a Assembleia.
Cenário semelhante ocorre com o PSL e o PPS, que lançaram dois concorrentes com domicílio eleitoral na cidade na corrida pela Assembleia: Antônio Jorge (PPS) e Hilda da Maçã do Amor (PSL). Embora, na campanha nacional os dois partidos integrem a empreitada de Marina, em Minas, as legendas correm ao lado da candidatura tucana, encabeçada por Pimenta da Vega. No caso de Antônio Jorge, a aliança nacional parece fazer menos sentido já que, ex-secretário de Estado de Saúde da gestão de Antonio Anastasia, ele é muito próximo do grupo político liderado pelo senador Aécio Neves.
