Os professores da rede estadual de ensino, em greve há 106 dias, decidiram ontem em assembleia manter o movimento por tempo indeterminado. Pela manhã, uma comissão de educadores reuniu-se com o líder do Governo na Assembleia, deputado Humberto Carneiro (PSDB), para tentar retomar as negociações, mas sem sucesso. Os governistas aceitam conversar sob a condição de retorno dos docentes às salas de aula. Em nota, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE) informou que a greve não foi considerada ilegal e que continua por tempo indeterminado e não será suspensa em função desta decisão judicial. Além do propósito de seguir com o movimento, dois professores mantêm greve de fome deste a última segunda-feira. Eles estão acampados na Assembleia ingerindo apenas água.
Na semana passada, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) considerou, em caráter liminar, que se trata de greve abusiva e fixou multa diária que pode chegar a R$ 50 mil. Os professores recorreram da decisão na segunda-feira. A categoria iniciou a movimentação reivindicando pagamento do piso salarial nacional de R$ 1.187 para jornada semanal de 24 horas. A legislação federal estabelece, entretanto, o valor para jornadas de 40 horas. Os docentes aceitaram a proporcionalidade, mas querem diferenciação conforme grau de instrução dos profissionais. O Governo de Minas propôs apenas R$ 712 sem discriminação. Como alternativa, oferece o que chama de subsídio ( vencimento básico com gratificações) com adesão opcional. Para 24 horas semanais, o subsídio vai de R$ 1.122 a R$ 1.932, a dependendo da escolaridade.
