A implantação de uma unidade do "Banco de alimentos", programa do Governo federal, em Juiz de Fora será adiada por tempo indeterminado. Diferentemente da maioria das obras públicas, a causa do adiamento não foi a ausência de recursos. Ao contrário, uma quantia da ordem de R$ 450 mil para início das obras, repassada pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), está em uma conta específica na Caixa Econômica Federal à disposição da Prefeitura desde o final do ano passado. Mas como o empreendimento não tem ainda sequer processo licitatório, não haverá tempo hábil para aplicar o dinheiro até o final do próximo mês, quando termina o prazo para iniciar a execução de despesas do orçamento de 2012. Com isso, o montante, já incluso na rubrica de restos a pagar, retornará aos cofres da União. Para o secretário de Assistência Social, Flávio Cheker, "o projeto ficou em banho-maria no Governo anterior (Custódio Mattos-PSDB) por força da inércia."
Mesmo com apelo junto ao MDS e uma força-tarefa para corrigir detalhes no projeto, o secretário já trabalha com a hipótese de reapresentar a proposta. "Como temos o projeto pronto, área para construção e empenho do prefeito (Bruno Siqueira-PMDB), podemos reencaminhar o pedido ao Governo federal para obtermos recursos, desta vez para concluir a obra (orçada em R$ 2,1 milhões)." O terreno destinado à implantação do "Banco de alimentos" está localizado próximo ao CeasaMinas. Para Bettina Koyro, do Conselho de Segurança Alimentar (Consea), a ideia de perder recursos assegurados por conta de prazos é desalentadora. Para ela, mesmo com todos os esforços "Banco de alimentos", as obras devem começar de forma imediata para viabilizar a primeira mediação antes de 30 de junho, ou seja, em menos de 40 dias.
O programa "Banco de alimentos" prevê a instalação de câmaras frigoríficas para a conservação dos alimentos, de laboratório para a análise de produtos, e a compra de veículos para transporte. Por meio de doações de atacadistas de hortifruti e supermercados, é feita a captação de gêneros alimentícios para serem repassados aos programas sociais do município. O projeto ainda contempla o processamento de legumes, frutas e hortaliças que não possuem mais valor comercial, mas ainda podem ser consumidos. Também são desenvolvidas no local ações pedagógicas, com a instalação de salas de aula, para o ensino de práticas e procedimentos ligados à educação alimentar e a um melhor consumo dos alimentos.
A expectativa do Consea é de que a unidade do "Banco de alimentos" a ser instalada em Juiz de Fora recolha mensalmente nos estabelecimentos parceiros cerca de 60 toneladas de alimentos com prazo de validade próximo do fim ou sem condições de comercialização. Essa quantidade pode crescer, conforme explica Betina, a partir do momento em que o banco estiver funcionando. "Temos o exemplo de Diadema, em São Paulo, que começou recolhendo 35 toneladas por mês e, hoje, recolhe 90." Para se ter uma ideia, apenas com o volume inicial, já será possível abastecer o Restaurante Popular e beneficiar mais dez mil pessoas assistidas em asilos e entidades comunitárias.
