Brasília (AE) – A presidente Dilma Rousseff embarca na manhã de hoje aos Estados Unidos para participar na sexta da cerimônia de assinatura do acordo de Paris sobre o clima, em Nova York. Com isso, deixa a chefia do Executivo a cargo do vice Michel Temer, em meio ao trâmite do pedido de impeachment no Congresso Nacional. A petista aproveitará a rápida passagem pela metrópole norte-americana para repetir o discurso de que seria vítima de “golpe”.
Dilma havia desistido da viagem oficial, mas mudou de ideia. O discurso da brasileira no evento está previsto para sexta às 9h40 (horário de Brasília). Ao subir à tribuna da Organização das Nações Unidas (ONU), a presidente pode aproveitar o discurso de até cinco minutos para “denunciar o golpe” na cerimônia internacional, conforme assessores do Palácio do Planalto.
Em contrapartida, Dilma deve enfrentar um protesto que está sendo divulgado nas redes sociais pelo Movimento Vem Junto, na cidade norte-americana. No Brasil, parlamentares da oposição também se manifestaram contrários à ida da presidente aos EUA e à intenção de falar do impeachment na tribuna da ONU.
Ministros do STF criticaram o possível posicionamento de Dilma. Para o decano da Corte, Celso de Mello, a presidente comete um “gravíssimo equívoco” ao fazer essa avaliação, pois o processo que pede o seu afastamento no Congresso está correndo dentro da normalidade jurídica. Um dos maiores críticos ao Governo no STF, Gilmar Mendes, também ironizou a possibilidade de Dilma fazer um discurso em Nova York nesse sentido. “Eu não sou assessor da presidente e não posso aconselhá-la, mas todos nós que temos acompanhado esse complexo procedimento no Brasil podemos avaliar que se trata de procedimentos absolutamente normais, dentro do quadro de institucionalidade”, disse.
