Ícone do site Tribuna de Minas

CPI da Saúde vai investigar aplicação de emendas parlamentares em Juiz de Fora

camara municipal cpi leonardo costa

Exoneração da servidora foi assinada pelo presidente da Câmara Municipal de Juiz de Fora nesta segunda-feira (19). Foto: Leonardo Costa

PUBLICIDADE

Os recursos de emendas parlamentares destinados à Secretaria de Saúde (SS) da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) nos últimos cinco anos serão investigados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, instalada na última segunda-feira (19), na Câmara Municipal de Juiz de Fora (CMJF).

Proposta pelo vereador Sargento Mello Casal (PL), a CPI será composta também pelos parlamentares Dr. Marcelo Condé (Avante), Vitinho (PSB), Pardal (União Brasil) e Letícia Delgado (PT). Os dois últimos são os únicos integrantes do colegiado que fazem parte da base de apoio à prefeita Margarida Salomão (PT).

PUBLICIDADE

A investigação parlamentar foi proposta em agosto pelo vereador Sargento Mello Casal (PL). Para a instalação da CPI, o requerimento contou com a assinatura de mais sete parlamentares, todos ligados à oposição ao governo municipal: André Mariano (PL), Roberta Lopes (PL), Antônio Aguiar (União), Negro Bússola (PV), Marcelo Condé (Avante), Maurício Delgado (Rede) e Vitinho (PSB).

A justificativa apresentada no requerimento de abertura da CPI aponta dificuldades no acesso a informações sobre a execução das emendas parlamentares e reclamações relacionadas ao funcionamento do sistema municipal de saúde. “O documento delimita a investigação aos recursos provenientes de emendas parlamentares impositivas destinadas à Secretaria Municipal de Saúde, não abrangendo toda a Administração municipal ou toda a política de saúde”, estabelece o texto.

O presidente da Câmara Municipal, vereador Zé Márcio-Garotinho (PDT), afirmou, em entrevista à Tribuna de Minas, que a instalação da CPI demonstra que os parlamentares estão cumprindo seu papel fiscalizador. Ele também manifestou a expectativa de que os trabalhos apresentem resultados positivos, mas ressaltou a necessidade de respeitar o objeto da investigação. “A CPI tem que verificar o repasse e a aplicação das emendas parlamentares e deve se ater a isso somente”, declarou.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) declarou respeitar os procedimentos e a independência do Poder Legislativo. Em nota, o Executivo afirmou que “responderá a todos os pedidos de informação, como vem fazendo desde 2021, com compromisso e responsabilidade institucional.”

PUBLICIDADE

Vereadores defendem apuração e transparência

Integrante da comissão, o vereador Vitinho (PSB) considera a investigação importante para apurar onde estão sendo aplicados os recursos destinados à saúde. “A minha expectativa é muito positiva. Nós somos a maioria na comissão e vamos fazer um trabalho fundamentado. Vamos conseguir apurar e trabalhar firme para conseguir concluir no prazo”, declarou o vereador.

Já a vereadora Letícia Delgado (PT) destacou que a atuação fiscalizatória da comissão deve ocorrer independentemente da posição política de seus integrantes, sejam eles da base governista ou da oposição. “Vou atuar com seriedade, independência e respeito às regras regimentais, legais e constitucionais, analisando as provas sem antecipar conclusões. Meu compromisso é com o esclarecimento dos fatos e com o aprimoramento da saúde pública da nossa cidade.”

PUBLICIDADE

A parlamentar também defendeu que a investigação seja conduzida com seriedade e transparência, de modo a esclarecer os fatos que motivaram a criação da CPI. “Se forem comprovadas irregularidades, devem ser feitos encaminhamentos cabíveis. Se as suspeitas não se confirmarem, isso também precisa ser reconhecido com responsabilidade e transparência”, defendeu.

Sobre os próximos passos da comissão, Letícia explicou que o regimento determina que a primeira reunião seja convocada e presidida pelo integrante mais idoso, no prazo de 15 dias. “Esse é o procedimento que deve orientar a organização inicial dos trabalhos.” Como Pardal é o membro mais idoso do colegiado, cabe a ele convocar a reunião, que ainda é aguardada pelos demais integrantes.

Já o vereador Dr. Marcelo Condé (Avante), afirmou que, como médico e um profissional que vive o dia a dia dos hospitais, conhece a importância dos repasses para manter os serviços funcionando e garantir assistência à população. “Acredito que meu papel nessa CPI é contribuir com um olhar técnico, equilibrado e comprometido com a verdade, a transparência e o interesse público. Não estamos aqui para apontar culpados, mas para compreender os fatos, encontrar soluções em conjunto e garantir que a saúde de Juiz de Fora seja tratada com a seriedade que exige.”

PUBLICIDADE

A Tribuna de Minas também procurou os vereadores Sargento Mello Casal (PL) e Pardal (União Brasil), que não haviam se posicionado até a publicação da matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

CPI vai apurar destinação e aplicação de emendas da Saúde

A comissão terá como foco a fiscalização da aplicação dos recursos provenientes de emendas parlamentares impositivas pelo Poder Executivo. Entre as medidas previstas estão a análise dos valores destinados à Saúde e a verificação de quais foram liquidados ou pagos, além da checagem de contratos, convênios, parcerias e processos de compra relacionados às emendas. A CPI também deverá identificar os beneficiários dos recursos e os serviços, obras e ações financiados. Os recursos não executados, parcialmente executados e eventuais alterações, cancelamentos, remanejamentos ou mudanças na finalidade dos valores também serão verificados.

Conforme o Regimento Interno da Casa Legislativa, a comissão tem 15 dias para realizar a primeira reunião e definir as funções de seus integrantes. A partir da instalação, o grupo tem até 120 dias para a realização dos trabalhos, com a possibilidade de prorrogação. “Ao longo desse prazo, a comissão poderá requisitar documentos e informações, convocar gestores públicos, ouvir testemunhas, realizar diligências e inspeções e analisar procedimentos administrativos relacionados aos recursos das emendas”, afirma a Câmara Municipal.

PUBLICIDADE

Ao término dos trabalhos, a CPI deverá apresentar um relatório com o resultado de suas investigações. Caso sejam identificadas irregularidades ou a necessidade de outras providências, o documento poderá ser encaminhado aos órgãos competentes, como o Ministério Público, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais e o Poder Executivo.

Sair da versão mobile