O horário eleitoral gratuito começou ontem em todo o Brasil apresentando ao eleitor os programas das 11 candidaturas à Presidência da República. Com grande disparidade de tempo entre os concorrentes, os três principais partidos que disputam o Palácio do Planalto evitaram críticas diretas entre eles e usaram parte do primeiro programa para homenagear Eduardo Campos, morto em acidente aéreo na semana passada. O PSB, legenda do ex-governador de Pernambuco, apresentou depoimentos e o nome de Marina Silva, que deve assumir a chapa, foi citado apenas uma vez.
Com aquele que é disparado o maior tempo de TV, a presidente Dilma Rousseff (PT) exibiu as realizações de seu Governo em 11 minutos e 24 segundos, sobretudo ressaltando o enfrentamento à crise mundial, que resultou num período de pouco crescimento econômico, mas, segundo a candidata, com a manutenção do emprego e da renda. A presidente foi, em seguida, apresentada em suas atividades do dia a dia, cozinhando e cuidando dos jardins do Palácio da Alvorada. Lula surgiu em momentos pontuais do programa, primeiro pedindo a confiança do eleitor na presidente, dando o exemplo de seu Governo, em que o segundo mandato foi muito mais bem avaliado. Depois, fez uma mensagem de encerramento, em que homenageou o ex-governador de Pernambuco.
Já no início do programa, o PSDB falou sobre Campos. O senador Aécio Neves procurou destacar o vínculo que tinha com o ex-governador e contou ter conhecido o socialista durante o movimento das Diretas Já. Em quatro minutos e 35 segundos, fez um discurso ininterrupto de críticas aos rumos da economia. Disse que o Brasil está pior do que estava há quatro anos e prometeu fazer uma administração que gaste menos com o custeio da máquina pública e mais com as pessoas. Enquanto transcorria seu discurso, foram exibidas cenas cotidianas, como numa barbearia, no metrô, na sala de uma casa, em que uma TV ao fundo ou um smartphone à mão mostrava a figura do ex-governador de Minas.
O horário reservado ao PSB, de dois minutos e três segundos, ainda não mostrou ao eleitorado um candidato. Apesar de as lideranças estarem afinadas em torno do nome de Marina Silva, o novo presidente da legenda, Roberto Amaral, já tinha garantido que o programa exibiria apenas uma homenagem a Eduardo Campos. Foram exibidas imagens de Campos em campanha, durante o mandato e com sua família. O programa se encerrou com uma tela preta e o nome de todos os mortos no acidente aéreo em Santos (SP).
Dos candidatos com cerca de um minuto de tempo de TV, Pastor Everaldo (PSC) teve o maior programa, de um minuto e dez segundos. O pastor assumiu posições visadas pelo voto evangélico, como a defesa da vida desde a concepção. Os candidatos Mauro Iasi (PCB), José Maria (PSTU), Luciana Genro (PSOL) e Rui Pimenta (PCO) criticaram a atuação do Estado na repressão às manifestações e a falta de atendimento, por parte dos Governos, a demandas populares. Levy Fidélix (PRTB) e José Maria Eymael (PSDC) criticaram a corrupção no Governo. Eduardo Jorge (PV), por sua vez, usou seu tempo apenas para veiculação de um texto em homenagem a Campos. À noite, diferente dos demais candidatos, apresentou programa diferente e defendeu um governo sustentável.
Horário
Após a exibição dos dois blocos de propaganda eleitoral dos candidatos à Presidência, de manhã e à noite, as legendas e coligações apresentaram os postulantes a vagas na Câmara dos Deputados. Hoje, será a vez dos candidatos a governador de estado e do Distrito Federal, ao Senado e às assembleias mostrarem suas propostas. No caso dos candidatos a presidente da República, a propaganda ocorrerá sempre às terças, quintas e sábados. As demais serão às segundas, quartas e sextas-feiras. A propaganda no rádio e na televisão segue até 2 de outubro.
