A chegada à Câmara de duas mensagens do Executivo, nesta semana, contemplando o setor de urgência e emergência e a Estratégia Saúde da Família (ESF), como já havia sido negociado pela Prefeitura diretamente com os profissionais das duas áreas, pode não funcionar para reduzir o desgaste entre o Governo e os servidores da saúde. A primeira aumenta o piso salarial para os médicos de urgência e emergência de R$ 4 mil para R$ 4.370, retroativo a primeiro de maio e se estendendo até o próximo dia 31 de outubro. Além disso, pela proposta, os servidores – sejam efetivos, contratados temporariamente ou municipalizados – que realizarem, no mínimo, quatro plantões nos finais de semana (entre as 19h de sexta-feira e as 7h de segunda)) contarão com um adicional extra de R$ 500. Já a segunda eleva a remuneração mínima dos médicos da família de R$ 6.500 para R$ 7.500, também retroativo a 1º de maio, e concede um adicional mensal de R$ 500 àquilo que foi pago entre outubro de 2010 e abril deste ano. No entanto, o presidente do Sindicato dos Médicos, Gilson Salomão, voltou a questionar ontem o fato de a PJF ter feito acordos isolados com os setores, sem que o entendimento passasse pelo restante da categoria.
No primeiro caso, a justificativa da Administração encaminhada na mensagem é de que tal medida mostra-se compatível com a política municipal de buscar remunerar dignamente as atividades exercidas pelos médicos de urgência e emergência, cujos vencimentos se mostram notadamente defasados. No segundo, o argumento é de que a proposta concentra-se na correção do adicional de resultados dos médicos da ESF e no reconhecimento aos avanços conquistados pelos profissionais no sentido de dinamizar e tornar mais eficaz as medidas que poderão contribuir para que sejam alcançados índices cada vez mais satisfatórios nas ações que integram o Programa Saúde da Família. Salomão, contudo, vê os projetos com certo descrédito. São mensagens encaminhadas de cima para baixo, sem discussão com a categoria. Houve conversas apenas com parte dos servidores, mas sem passar por assembleia, criticou. Essa mensagem para a urgência e emergência, então, é muito obscura, o sindicato não sabe como isso vai ser feito.
Reunião antecipada
Isso não significa que os sindicalistas estejam desde já contrários às matérias, mas sim que pretendem entendê-las melhor antes que sejam votadas pelos vereadores. Temos uma assembleia marcada para o dia 30, mas na semana que vem queremos fazer uma pré-reunião com os parlamentares da bancada médica para que eles nos esclareçam o teor dessas mensagens, declarou o presidente do sindicato. Na segunda-feira, a bancada médica e a Comissão de Saúde já têm uma reunião agendada com os médicos de família, que procuraram os vereadores para conversar. A respeito das propostas da PJF, o vereador José Fiorilo (PDT), médico e presidente da comissão, considerou que nenhuma das duas resolve os problemas na assistência e ressaltou que ainda não conversou com o sindicato sobre o assunto. Todavia, o pedetista não acha possível que elas não sejam aprovadas. Não resolvem , mas começam a ajudar. Até que venham coisas melhores, não podemos deixar de aprovar.
