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Crea diz que linhas férreas são entrave nos centros urbanos

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A presença de linhas férreas em perímetros urbanos municipais é um dos principais entraves ao desenvolvimento de cidades do Sudeste mineiro. A constatação está no Caderno Técnico Regional, relatório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-MG) encaminhado ontem ao Governo estadual, que aponta as principais demandas estruturais da região. O texto foi escrito com base em cinco eixos temáticos: meio ambiente, rodovias mineiras, alimentos, impacto das chuvas e desenvolvimento urbano. A análise, feita em parceria com a Ouvidoria Geral do Estado, compreendeu, entre outros municípios, Barbacena, Cataguases, Juiz de Fora, Muriaé, São João Del Rei, Ponte Nova, Ubá e Viçosa.

Segundo o engenheiro civil Maurício Fernandes, assessor da presidência do Crea, a principal constatação é de que falta ao Sudeste mineiro investimento em infraestrutura e mobilidade urbana. "A região sofre com a falta de mobilidade, tanto em âmbito urbano quanto em estradas e rodovias. Destaco, sobretudo, a presença de linhas férreas em centros urbanos, algo que está ultrapassado e que impacta fortemente a qualidade de vida da população das cidades, além de prejudicar a atração de investimentos para os municípios. Hoje, com o aumento do número de trens circulando pela região, com frequência eles interrompem o trânsito e têm causado transtornos à população e às empresas ali instaladas."

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Outros temas abordados foram o despreparo das cidades para lidar com as chuvas, que, segundo o relatório, têm causado perdas humanas e materiais na região. Teve destaque, ainda, o crescimento desordenado do perímetro urbano dos municípios. Falta às prefeituras, de acordo com o relatório, um plano que estruture o desenvolvimento das cidades, de modo que elas cresçam de forma sustentável e com qualidade de vida para seus moradores. Também foi lembrada a degradação ambiental das pastagens do Sudeste mineiro, cuja extensão de terra agricultável estaria cada vez menor devido ao mau cuidado do solo.

Fernandes lembra que, embora o Caderno Técnico Regional deva incentivar maior cobrança da população local em relação ao plano de desenvolvimento e infraestrutura dos municípios, o objetivo de sua elaboração é permitir o diálogo entre órgãos de governo e a sociedade civil.

"Com esta série de demandas identificadas, esperamos que os governantes tomem providências e respondam pelos problemas que não conseguirem solucionar. Não queremos simplesmente cobrar ações do Governo estadual. A ideia é permitir que a relação entre a instância governamental e outras instituições torne mais fácil a identificação das dificuldades vividas pelos gestores de cada região, de modo que soluções possam ser pensadas e planejamentos mais sólidos elaborados." O engenheiro conclui constatando que, quanto maior o tempo gasto pelas instâncias governamentais para solucionar os problemas estruturais dos municípios, maior será a necessidade de investimentos para corrigir os mesmos de forma tardia.

O documento foi organizado pelo fórum técnico do Crea-Minas. Ele também será repassado aos profissionais registrados no conselho, aos inspetores e coordenadores do órgão, que, por sua vez, repassarão às prefeituras.

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