
Agências bancárias e prédios públicos foram alvo
Juiz de Fora amanheceu pichada nesta quinta-feira (20). Prédios públicos, como a antiga sede da Prefeitura, no Parque Halfeld, edificação tombada pelo patrimônio histórico, canteiros, tapumes de obras, muros, agências bancárias, a sede de um órgão da imprensa e até o comércio foram alvos de vandalismos durante a madrugada, sobretudo na Avenida Rio Branco, entre a Rua Floriano Peixoto e a Avenida Itamar Franco, na região central. Mensagens violentas como "Mais raiva por favor", "Ódio aos políticos", "Pacifismo não basta" e simbolismos do anarquismo foram impressos nos imóveis, também atingidos por tintas lançadas por balões, produzindo respingos pelas fachadas. Em algumas pichações, os vândalos fazem novas ameaças: "É só o começo", e em outras tentam se justificar: "Violento é o sistema", "Vandalismo é morrer na fila do hospital".
Os juiz-foranos criticaram as ações de vandalismo. "Os movimentos sociais e estudantis lutam para consolidar a democracia, mas atos que causam danos dessa monta são lamentáveis. Estamos vivendo momento histórico de manifestações legítimas, mas que não pode ser destruído pela violência. Não podem apenas exigir direitos, sem cumprir com seus direitos", defende a advogada Daniela Toledo Miranda, que observou as cenas de pichações com pesar.
População contra
Mesmo jovens que integram ou apoiam o movimento são contrários aos atos. "Até entendo que as pichações são uma forma de manifestação, mas não concordo. O movimento é pacífico, por isso o uso do branco, pois queremos paz. Mas sempre há aqueles que desrespeitam", opina a universitária Thaís Moreira de Classe, 19. "Vandalizar o patrimônio público, a nossa cidade, é ir contra nós mesmos, pois somos nós que acabamos pagando por isso", disparou o estudante Bruno Vale, 18.
A assessoria de comunicação do banco Itaú informou, por nota, que "é a favor de demonstrações pacíficas e democráticas", mas lamentou o vandalismo. Já o Banco do Brasil não quis se posicionar e informou que tomaria medidas de segurança. A Caixa Econômica Federal também preferiu não comentar o fato e disse apenas que as agências funcionariam normalmente. Na maioria das agências bancárias atingidas, profissionais da limpeza trabalharam para tentar remover as tintas.
A assessoria da Prefeitura afirmou que a administração defende o livre direito à manifestação e destaca que o protesto pacífico e ordeiro, como é tradição na cidade, fortalece a democracia e enriquece o debate por uma sociedade melhor. "Da mesma forma, a administração condena atos de violência, vandalismo e depredação, e entende que tais ações vão de encontro aos objetivos do protesto." A nota diz ainda que a Prefeitura acredita que as depredações são atos isolados e que não refletem o perfil do movimento.
A Polícia Militar informou que ficará atenta aos delitos, e a Polícia Civil garantiu que irá instaurar inquérito para responsabilizar os autores pelos atos, que podem ser enquadrados por dano ao patrimônio público e privado.

