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Estudantes mantêm ocupação da Reitoria

ocupacao ocorreu no final da noite de segunda apos reuniao com vice reitor

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Ocupação ocorreu no final da noite de segunda, após reunião com vice-reitor
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Ocupação ocorreu no final da noite de segunda, após reunião com vice-reitor

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Os estudantes que invadiram o prédio da Reitoria no final da noite de segunda-feira prometem continuar no local até que a UFJF apresente um posicionamento frente às suas reivindicações. Com cartazes nas paredes, barracas e colchões espalhados pelo saguão, os alunos contestam irregularidades no pagamento das bolsas de assistência e pedem a abertura imediata da moradia estudantil e melhorias no Campus de Governador Valadares. Eles também denunciam a atual política de segurança no campus, por adotar práticas repressivas e de marginalização contra os jovens do entorno. Apesar de comprometer parcialmente o atendimento de alguns setores da universidade, como o Centro de Atendimento e a Biblioteca Central, a decisão dos manifestantes é manter a ocupação até que haja um posicionamento sobre o cumprimento das reivindicações.

O movimento denominado “Ocupa UFJF” foi definido em assembleia realizada no final da noite de segunda-feira, após uma reunião de cerca de cinco horas entre os alunos e o vice-reitor Marcos Chein, que está no exercício da função durante a viagem de Júlio Chebli. Também estiveram presentes vários pró-reitores, incluindo a pró-reitora de Apoio Estudantil e Educação Inclusiva, Joana Machado. Ontem, durante todo o dia, os estudantes interditaram o acesso à Reitoria, liberando apenas a entrada de pessoas necessárias à manutenção de serviços essenciais. Após negociação entre o vice-reitor e os alunos, as pró-reitorias de Apoio Estudantil; Planejamento, Orçamentos e Finanças; Graduação e Recursos Humanos puderam operar normalmente.

À noite, os manifestantes receberam os professores Marcelo Dulci, do Departamento de Ciências Sociais do ICH, e Brawlio Moura, da Faculdade de Direito, para uma reunião, que foi transmitida pelo YouTube. Os estudantes classificaram o posicionamento da administração como insatisfatório e cobraram a presença de Júlio Chebli. Dulci orientou os alunos quanto aos próximos passos do movimento. “É preciso que vocês criem uma pauta delimitada, com todas as reivindicações de forma clara, apontando o contexto dos problemas pelos quais desejam lutar.” Uma reunião do Conselho de Centros e Diretórios Acadêmicos (Concada) está marcada para quinta-feira, quando serão definidas novas regras e datas para novo processo eleitoral do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

No encontro, ainda foi questionada a infraestrutura da moradia estudantil, assim como outras obras executadas desde a gestão do ex-reitor Henrique Duque. Segundo os alunos, as obras foram efetuadas de forma “mal planejada”. Pela manhã, acompanhados do vice-reitor, os estudantes realizaram uma visita às instalações do prédio da Moradia Estudantil, pronto há cerca de seis meses. A visita foi fechada à imprensa. Conforme a assessoria de comunicação da UFJF, a instituição aguarda a formação de uma comissão, já aprovada pelo Conselho Superior (Consu), que vai definir o edital com as regras de funcionamento do alojamento, localizado na Rua José Lourenço Kelmer.

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Atraso na divulgação do edital preocupa alunos

A ata final da reunião de segunda-feira entre os alunos e o vice-reitor e pró-reitores aponta 19 propostas e questionamentos. Um dos principais pontos de conflito foi o atraso na divulgação do resultado do edital de bolsas e auxílios de 2015, que deveria ter sido liberado no dia 14 deste mês. Na data, a instituição apresentou apenas um resultado parcial, com os aprovados nas bolsas custeadas pelo MEC. Os demais só terão seus nomes divulgados amanhã, com prioridade apenas para os de nível sócio-econômico mais baixo. Os estudantes estão preocupados com o pagamento dos benefícios. Eles pedem ainda a reformulação e simplificação do edital, que contém muitas exigências.

Segundo a pró-reitora de Apoio Estudantil, Joana Machado, o resultado será divulgado em etapas devido à falta de assistentes sociais que possam contribuir para a análise dos 4.580 processos existentes, havendo apenas três servidoras responsáveis pela função. A reitoria se comprometeu ainda a contratar novas assistentes por meio de processo de licitação.

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Outro problema apresentado pelos alunos é a ausência do reitor Júlio Chebli no diálogo com os alunos, justificada durante a reunião de segunda pela sua participação em um congresso nos Estados Unidos. Chebli teria tentado antecipar a volta para Juiz de Fora para esta quarta, mas não conseguiu. Sua chegada é aguardada para o início da tarde de quinta-feira. No entanto, segundo o vice-reitor, a proposta era iniciar ainda ontem a discussão para acelerar o processo, de forma a dar uma resposta em relação ao apoio estudantil. “Com a volta dele, fica até mais fácil, porque a gente vai poder acelerar outras pautas que estão sendo colocadas pelos estudantes”, disse. Uma nova reunião entre o reitor e os alunos está marcada para sexta-feira, às 17h.

Vice-reitor recebe cartas de professores

Durante a madrugada do primeiro dia de ocupação, os alunos decidiram criar comissões a fim de dividir os trabalhos de limpeza, alimentação, relacionamento externo e negociação. Além de recursos dos centros e diretórios acadêmicos, os alunos pediram apoio de movimento sindicais, alunos e professores. Sind-UTE e Sintufejuf já formalizaram ajuda. O reitor em exercício manteve o diálogo com os estudantes durante todo o dia. Marcos Chein esteve na Reitoria pela manhã e conseguiu entrar no prédio para dar posse a uma professora. “Se o movimento entender que é o caso de manter a ocupação até sexta-feira, vamos negociando dia a dia, com muita tranquilidade e respeitando. Porque os estudantes estão nos tratando com dignidade e educação. É um movimento de resistência importante e pacífico”, destacou.

Um grupo de professores entregou à tarde ao vice-reitor uma carta aberta acompanhada de abaixo-assinado com 400 assinaturas de docentes, técnicos-administrativos e alunos. O documento pede esclarecimentos sobre as notícias publicadas sobre a UFJF na imprensa; a reforma administrativa feita pelo reitor em apenas seis meses de mandato; a falta de esclarecimentos sobre os boatos de renúncia de Júlio Chebli e a situação do Campus de Governador Valadares. “Toda esta situação gera insegurança a todos nós, e queremos que a Reitoria se posicione sobre estas questões”, afirmou o professor da Faculdade de Fisioterapia Marcos Souza Freitas. Sobre o documento, Chein garantiu “tomar conhecimento das questões levantadas e dar uma resposta aos questionamentos”.

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Técnicos e professores

Nesta semana, os servidores da UFJF aprovaram o indicativo de greve para o dia 28 deste mês. Para a mesma data, a Associação Nacional dos Docentes de Ensino Superior (Andes-SN) pretende deflagrar greve nacional, conforme decisão tomada no último sábado, em Brasília. A Apes-JF informou ontem que uma assembleia foi marcada para a próxima terça-feira, às 17h, no Auditório da Faculdade de Comunicação, quando será discutida a pauta de reivindicações local e nacional e a deliberação sobre a deflagração da greve. No último encontro, os professores aprovaram indicativo de greve, com início entre 25 e 29 de maio.

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