Brasília (AE) – A presidente Dilma Rousseff reiterou ontem pela manhã, em entrevista a jornalistas estrangeiros, as críticas que vem fazendo ao processo de impeachment contra ela, que, após aprovação na Câmara, tramita agora no Senado. “Estou sendo vítima de um processo baseado em uma flagrante injustiça e fraude jurídica e política e, ao mesmo tempo, de um golpe. O Brasil tem um veio golpista adormecido”, afirmou.
Dilma disse ter certeza de que não houve um único presidente depois da redemocratização do Brasil que não enfrentou processo de impeachment no Congresso e lembrou que ela não pode ser julgada pela crise econômica do país. “Me culpam como se eu fosse responsável pelo fim do superciclo da commodities, como se no resto do mundo essas dificuldade não fossem em escala maior”, disse. “Se argumentação de crise econômica fosse argumento para tirar presidente, não teria um presidente em país desenvolvido”, emendou.
À noite, depois de receber um grupo de 15 mulheres que participavam de uma manifestação no Palácio do Planalto defendendo sua permanência no cargo, a presidente Dilma Rousseff saiu de seu gabinete, no terceiro andar, foi para o segundo andar e, num gesto absolutamente inusitado, desceu a rampa do Palácio em direção às manifestantes. Como há uma grande grade entre o Palácio do Planalto e a rua, a presidente Dilma Rousseff percorreu toda a extensão dessa separação, cumprimentando e abraçando várias das manifestantes. Dilma recebeu flores e também tirou fotos, um ato inédito durante os mais de cinco anos do governo da presidente. “Eu estou de alma lavada”, disse a presidente ao se despedir do grupo de mulheres no Palácio do Planalto. A frase foi dita após Dilma retornar ao salão verde do Palácio, fazer uma foto final e mandar beijos para as manifestantes.
