Denúncias relativas ao Hospital Regional João Penido vão virar tema de audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A situação da unidade hospitalar localizada no Bairro Grama, região Nordeste de Juiz de Fora, veio à tona esta semana, após visita do deputado estadual Adelmo Leão (PT), da Comissão de Saúde, para constatar reclamações formalizadas por servidores ao Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde). Entre as denúncias estão a de que um paciente teria ficado sem banho por falta de funcionário para realizar o procedimento, a urina estaria sendo colhida para exame em garrafa de refrigerante, pacientes em isolamento estariam em contato com pessoas sem a mesma necessidade, funcionários estariam passando por constrangimentos e o setor de UTI neonatal teria ficado fechado por falta de pessoal capacitado.
De acordo com o deputado, os problemas verificados são passíveis de serem resolvidos, mas precisam ser discutidos para que a correção seja feita da melhor maneira. "Verificamos que em Juiz de Fora o hospital tem boa estrutura, mas está sem gente. É o segundo hospital da rede Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais) que visitamos, constatamos problemas nos dois, e vamos continuar percorrendo os demais hospitais estaduais. O objetivo é incentivar a discussão. Por isso, estou propondo audiências públicas." Adelmo Leão também pretende se reunir com o deputado Carlos Mosconi (PSDB), que é presidente da Comissão de Saúde, para discutir a questão.
A diretora do Sind-Saúde, Maria Lúcia Barcelos, acompanhou a visita do deputado petista a Juiz de Fora e confirma que a situação mais grave diz respeito à falta de pessoal. "As denúncias foram confirmadas, e esse trabalho tem o papel de trazer o tema para a agenda pública e pressionar o Governo e a Fhemig por melhorias. A direção do João Penido se demonstrou disposta a solucionar o que está ao seu alcance, mas precisamos de um posicionamento das autoridades estaduais."
O diretor do hospital, Márcio Itaboray, admite o problema relativo aos recursos humanos. "A unidade cresceu muito, começou a fazer, inclusive, um papel que não era dela, de urgência e emergência para a região Nordeste. E há uma dificuldade burocrática de contratação de pessoal desde que, há dois anos, foi iniciada a contratação por concurso público. Apesar de ser o procedimento mais correto, o profissional aprovado tem 60 dias para tomar posse e pode prorrogar por mais 30. Isso dificulta a solução da defasagem de pessoal. O problema existe, precisa ser enfrentado, mas não envolve a falta de concursos, já que a Fhemig está com 500 vagas abertas. A questão é maior e envolve o financiamento público de saúde." Itaboray confirma que a UTI neonatal precisou ficar fechada por aproximadamente dez dias, mas esclarece que a situação já foi solucionada.
