Depois de quase 70 dias parados, os policiais civis de Minas Gerais decidiram suspender a greve por 60 dias. A medida foi tomada ontem durante assembleia geral da categoria realizada em Belo Horizonte. A partir dedesta quarta-feira (20), os servidores voltam a trabalhar normalmente. "Com a suspensão do movimento, teremos mais abertura para negociar com o Governo", explica o analista de tecnologia da informação do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil (Sindpol), José Roberto Coelho. Na segunda-feira, o secretário de Defesa Social do Estado, Lafayette Andrada, autorizou a realização de concurso público de nível superior para preenchimento de mais de 300 vagas para investigador. O edital deve ser publicado ainda em 2011, a posse dos aprovados foi prometida para o primeiro semestre do ano que vem.
José Roberto Coelho avaliou ontem que o anúncio de Lafayette foi um bom sinal para o andamento do diálogo entre a categoria e o Governo, mas não influenciou decisivamente na suspensão do movimento. "A assembleia estava marcada, e já sinalizávamos para a decisão de hoje. A realização do concurso acabou antecipando algo que poderia acontecer, pois o aumento do efetivo é um dos pontos da pauta reivindicatória." Um dos maiores demandas da categoria agora é a revisão da Lei Orgânica da Polícia Civil, que trata de pontos como subsídios, plano de carreira e efetivo. "Já encaminhamos uma proposta para o Governo, que se comprometeu a estudar", aponta o diretor regional do Sindpol na Zona da Mata, Marcelo Armstrong. A expectativa é que o Estado encaminhe um projeto à Assembleia Legislativa, para ser votado até setembro. "Agora, temos que esperar o andamento das negociações."
Em greve desde o dia 10 de maio, a categoria mantinha atendimento a apenas 50% de toda a demanda nas unidades. Com isso, houve atraso na realização de alguns serviços, como inquéritos policiais por portaria e diligências preliminares, que não estavam sendo instaurados. Intimações, acareações, reconhecimentos e investigações só eram realizados caso houvesse prisão em flagrante ou qualquer outra situação que exigisse atuação imediata. Já os mandados de busca e apreensão, bem como os de prisão domiciliar, só podiam ser cumpridos caso fosse constatada ameaça às vítimas.
Ainda não há assembleia previstas, mas, de acordo com José Roberto Coelho, o período de suspensão da greve deve ser marcado por reuniões e discussões entre a classe, já tendo previsto um encontro do conselho deliberativo do Sindpol nos próximos dias. Ele alerta, entretanto, que o movimento não terminou, sendo apenas interrompido. "Caso não haja avanço nas negociações, poderemos voltar à greve ainda mais brutalmente, operando com apenas 30% do efetivo, o mínimo permitido por lei, e não 50%, como vínhamos fazendo."
