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Medidas para conter seca se multiplicam

boa gestao de mananciais como o de chapeu duvas ira impedir crises em epoca de estiagem

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Gestão de mananciais, como o de Chapéu DUvas, irá impedir crises em épocas de estiagem
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Por meio da Companhia de Saneamento Municipal (Cesama), a Prefeitura Juiz de Fora adotou um esquema de rodízio no abastecimento desde 17 de outubro do ano passado. A ação conjuntural permanece em vigor e não há previsão para sua suspensão, mesmo com a ligeira recuperação nos níveis dos mananciais que abastecem a cidade – esvaziados durante o longo período de estiagem. De mesma forma, a medida veio acompanhada de uma série de propostas emergenciais sugeridas pelos poderes Executivo e Legislativo não só de Juiz de Fora, mas de outras cidades da região, como Ubá, Rio Pomba, Muriaé e Viçosa. Uso de poços artesianos, campanhas de conscientização e leis de incentivo ao uso de água da chuva são algumas das ações mais verificadas. Mas há também propostas de longo prazo, como revisão nos planos de gestão dos recursos e programas de revitalização de bacias. Apesar de os visíveis temores da classe política e da população com relação à palavra racionamento, na opinião do professor do Programa de Planejamento Energético da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcos Freitas, práticas como os rodízios e adoção de leis para incentivar a economia de recursos hídricos são bem-vindas.

“Nesse momento, de fato, essas medidas não são raras e não podem ser consideradas como medidas paliativas. São ações conjunturais utilizadas em todo o mundo. Este tipo de solução tem por objetivo reduzir as perdas. Apesar de terem caráter emergencial, também servem como ferramenta de educação da sociedade e ajudam na aprendizagem sobre a utilização consciente dos recursos. Na grande maioria das residências, por exemplo, é possível reduzir o consumo em até 20% sem qualquer prejuízo ao conforto”, afirma Freitas. Coordenador do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (IVIG), da COPPE/UFRJ, ele destaca, todavia, que tais ações conjunturais devem ser acompanhadas de medidas estruturantes. “Uma das principais ações estruturais necessárias na maioria das cidades são os esforços para a despoluição dos rios. Há muita perda com a água desperdiçada para diluir o esgoto jogado na rede fluvial. Assim, deixamos de utilizar os rios urbanos para o abastecimento.”

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Sob a ótica do especialista, diante à atual crise hídrica, Juiz de Fora opta por medidas acertadas tanto no aspecto contingencial, com a adoção do rodízio, quanto no planejamento, com as obras de despoluição do Rio Paraibuna. Entretanto, Freitas destaca que, assim como outros municípios do país, é preciso trabalhar para reduzir perda de água no próprio sistema de distribuição e abastecimento de água. No final de janeiro, o diretor-presidente da Cesama, André Borges, admitiu que, em Juiz de Fora, o índice de desperdício está em torno de 30%. “Em todo o país, o percentual perdido gira na casa de 35%, enquanto em nações europeias, por exemplo, o índice é bem mais baixo, próximo de 10%.”

Problemas vão além da estiagem

Apesar da constante argumentação de prefeitos, governadores e responsáveis por empresas de abastecimento, Marcos Freitas entende que apenas o período de estiagem não justifica a crise hídrica enfrentada em várias partes do país, principalmente, na Região Sudeste. “Há um claro problema na gestão de recursos hídricos. Isso é inegável. Seja pela poluição dos rios ou pela perda do sistema de abastecimento. Esses dois fatores podem ser reduzidos. Vários estados e municípios do Sudeste já deviam ter ligado o sinal de alerta no ano passado, quando os mananciais mostraram dificuldades em atingir suas capacidade plenas. Em outros países de clima mais árido ou similar ao nosso, os racionamentos são muito comuns. Mas, por aqui, criou-se uma ojeriza à possibilidade, principalmente por se tratar de um período eleitoral. Isso acabou agravando a situação.”

Independentemente de esforços executivos e legislativos e da adoção de políticas de racionamento, o especialista acredita que, caso a estiagem observada no início deste ano se repita entre 2015 e 2016, a preocupação com os recursos hídricos e com o abastecimento de água tratada tendem a se acentuar. “A situação pode se tornar ainda mais caótica. O período de chuva no Sudeste vai de outubro a abril. Esse ano, as chuvas só se intensificaram no final de janeiro e início de fevereiro. Podemos chegar no próximo período com as reservas apresentado um volume menor que o observado em outubro passado. Assim, caso o longo período de estiagem ocorrido nos últimos meses se repita, o problema tende a se agravar. ”

Abaixo da média

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Em Juiz de Fora, os mananciais que abastecem a cidade ainda não recuperaram capacidade plena, mesmo após a adoção do rodízio e a ocorrência de chuvas nas últimas semanas. A Represa João Penido estava com 39% de sua capacidade no fim de semana, enquanto Chapéu d’Uvas tinha 44% e São Pedro, 89%. O cenário, contudo, é melhor observado na cidade em 2014. Principal fonte de água tratada da cidade, João Penido, por exemplo, chegou a ter apenas 18% de seu potencial de armazenamento no ano passado. Historicamente, nesta época, a represa costuma operar com capacidade máxima.

Já nas obras de despoluição do Rio Paraibuna, avaliadas em R$ 130 milhões, as ações envolvem a implantação de aproximadamente 40 quilômetros de tubulações, cinco estações elevatórias para bombeamento dos efluentes e duas novas estações de tratamento de esgoto. A previsão é de que este conjunto de obras esteja concluído até o final do primeiro semestre de 2015. Com isso, a Cesama pretende tratar até 65% do esgoto produzido na cidade.

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