
Ex-vereador foi levado no carro da PF para o Ceresp
A Polícia Federal e a Receita Federal divulgaram, na tarde desta quinta-feira (17), os dados do esquema milionário estourado pelos órgãos na manhã de hoje que envolvia fraude em centenas de processos licitatórios de autarquias e órgãos públicos federais em todo o Brasil. Segundo informações do delegado da PF em Juiz de Fora, Cláudio Dornelas, estima-se que o esquema tenha movimentado mais de R$ 30 milhões. Durante a operação "Trucatto", um referência aos jogos de dados viciados, quatro pessoas foram presas, entre elas, o advogado Josemar da Silva. Em entrevista coletiva, o delegado afirmou "que o advogado seria o ‘cabeça’ do esquema". A temporária de 5 dias de Josemar da Silva foi acompanhada por representante da OAB. Ele está em uma cela especial do Ceresp. Conforme Dornellas, a prisão pode ser revogada, ampliada e cabe recurso por parte da defesa. Uma mulher também foi presa e levada para a Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires. Outros dois homens estão em cela comum também no Ceresp.
Durante o cumprimento dos dez mandados de busca e apreensão, foram encontrados US$87 mil dólares, R$ 29 mil, 465 euros, 40 francos suíços, 219 pesos argentinos, tudo em espécie. O dinheiro foi apreendido durante a manhã, quando agentes da delegacia da PF em Juiz de Fora atuaram em dois pontos: na Floriano Peixoto, próximo à esquina com a Francisco Bernardino, no Centro, onde funciona um escritório de advocacia; e em um call center no Ipiranga, na Zona Sul.
Em um mesmo endereço em Juiz de Fora foram encontrados documentos que pertenceriam a mais de 10 empresas. Entre os serviços oferecidos pelas empresas, nos pregões, estavam principalmente call center, limpeza e conservação.
De acordo com o delegado da Receita Federal, Marcos Amorim, a central telefônica teria mantido um contrato com a Receita durante, aproximadamente, dois anos, entre 2008 a 2010. Ainda de acordo com Amorim, essa organização lidava com informações federais não sigilosas. Entre os contratos mencionados pela PF, pelo menos um teria sido firmado com a Presidência da República.
Segundo nota enviada pela PF, as "empresas investigadas participavam, concomitantemente, em pregões eletrônicos em diversos estados, utilizando-se de interpostas pessoas, na constituição das firmas, bem como se valiam de outros ardis, com o objetivo de fraudar o princípio da concorrência das licitações públicas." Ou seja, os responsáveis pelo esquema, segundo a PF, associavam uma séria de empresas de fachada, que entravam no mesmo pregão para aumentar a chance de saírem vencedoras.
Os suspeitos podem ser indiciados pelos crimes de fraude em processo licitatório, falsificação de documento, falsidade ideológica, formação de quadrilha. O delegado da PF ainda disse que poderá pedir a quebra dos sigilos fiscais e bancários dos quatro.

