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Milhares protestam em Juiz de Fora

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Atualizada em 18 de junho de 2013, às 00h54

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A onda de protestos populares no país que começou em São Paulo, a partir do Movimento Passe Livre (MPL), alcançou Juiz de Fora. Milhares de manifestantes tomaram as ruas, avenidas e praças na área central da cidade, na tarde e noite de ontem, com críticas à corrupção, aos gastos com eventos esportivos, à escassez de recursos para a educação e à repressão policial nas manifestações no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e em São Paulo. Com rostos pintados e empunhando bandeiras e cartazes, as pessoas repudiaram a politização partidária de eventos e cobraram investimentos nos serviços públicos. O mote do reajuste das tarifas de transporte coletivo urbano também apareceu entre as reivindicações apresentadas ao longo do protesto, mas sem o caráter determinante da mobilização paulista.

Acompanhados à distância pela Polícia Militar (PM), os militantes saíram da Praça Jarbas de Lery Santos, no Bairro São Mateus, e seguiram pelas avenidas Itamar Franco, Rio Branco e Getúlio Vargas. Embora o trânsito nessas vias tenha sido interrompido por cerca de cinco horas, não foram registradas ocorrências. A PM estima a participação de cerca de três mil manifestantes no protesto. Para o grupo responsável pela mobilização, foram cinco mil. Um novo ato foi agendado para a próxima quinta-feira, mais uma vez com concentração na Praça Jarbas de Lery Santos. Como aconteceu com o evento de ontem, quando a ação foi marcada pelo Facebook, os detalhes serão definidos por meio das redes sociais. As reivindicações serão as mesmas.

A falta de uma pauta específica, aliás, é considerada a principal característica das manifestações que acontecem país afora denominadas como "Junta Brasil". Da saída da praça, no Bairro São Mateus, às 17h20, até a dispersão, no cruzamento das avenidas Rio Branco e Itamar Franco, às 22h30, os gritos e canções de protesto contemplaram as mais variadas questões. Motes históricos de passeatas, como "você aí parado também é explorado", foram retomados em ritmos diferentes. Em alguns casos, estrofes inteiras eram substituídas por expressões atuais, envolvendo a Copa das Confederações e a Copa do Mundo. Até mesmo a velha campanha do "Petróleo é nosso" apareceu. Em vários momentos, os manifestantes entoaram o Hino Nacional.

Alguns aspectos da política local entraram para lista de protestos, como a recente mudança na Lei de Uso e Ocupação do Solo. Em um cartaz, que foi colado na escultura do menino com a pipa, na Avenida Presidente Itamar Franco, um manifestante pedia ao prefeito Bruno Siqueira (PMDB) para vetar a matéria. O tema local mais recorrente, no entanto, foi mesmo o reajuste da tarifa de ônibus. Vários cartazes e faixas defendiam a ausência até mesmo de reposição inflacionária, sob ameaça de novas paralisações. Nos dizeres envolvendo a temática da corrupção, nenhuma categoria de políticos e partidos foi perdoada. Da mesma forma, a falta de investimento em saúde e educação foi atribuída à incompetência de todos os mandatários do país.

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Sentados no cruzamento

Durante o trajeto, os manifestantes sentaram por várias vezes nas vias públicas para, segundo eles, mostrar que são capazes de parar a cidade. Entre as 19h20 e as 20h05, um pequeno grupo permaneceu sentado no cruzamento da Rua Halfeld com a Avenida Rio Branco, sendo questionado pelas pessoas nos pontos de ônibus. Uma senhora chegou a pedir a interferência da polícia, que preferiu aguardar pela saída pacífica dos manifestantes. Um motorista que tentou usar a pista dos ônibus para sair do bloqueio acabou barrado. Também no final da passeata, já após as 21h, algumas pessoas mantiveram fechado o cruzamento das avenidas Rio Branco e Itamar Franco, que foi liberado mais de uma hora depois, quando o protesto perdeu força.

 

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População aprova movimento

 Apesar de a passeata dos manifestantes ter causado transtornos no Centro da cidade, interditando as principais vias e deixando o trânsito complicado nas ruas paralelas, o que se viu foi uma grande aprovação popular do protesto. Os passageiros chegaram a ficar cerca de duas horas esperando para que os ônibus voltassem a circular. Muitos criticaram o horário em que a passeata foi realizada, mas a maioria classificou o movimento como legítimo. "O Brasil precisava acordar. É claro que o ato causa algum transtorno, mas com certeza não é pior do que a baderna que o país está faz tempo," disse a enfermeira Ana de Castro.

A aposentada Dalva Teixeira, que acompanhou o ato enquanto esperava no ponto da Avenida Rio Branco, vibrou junto com os manifestantes. "Eu deveria estar lá também. Chegou a hora de o povo mostrar sua força. Não me importo em esperar." O vendedor Paulo Sérgio Gonzaga, morador do Bairro Nova Era, Zona Norte, criticou o horário em que ocorreu o ato. "Acho que estão certos de lutar pelos direitos, mas ficou complicado por conta do horário. Saí 6h de casa e não sei que horas vou chegar." 

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Aceno

Durante o trajeto, alguns comerciantes fecharam os estabelecimentos, outros aplaudiram os manifestantes. Um deles, gerente de uma loja na Rua Halfeld com Avenida Rio Branco, surpreendeu o grupo subindo na sacada do estabelecimento e erguendo um cartaz com os dizeres "Achei que não iria ver isto. Obrigado". Ele foi aplaudido pelos participantes do ato, que cantaram o Hino Nacional. A aprovação do movimento veio também de aceno de moradores de prédios. Muitos ergueram panos nas janelas, outros jogaram papel picado e batiam palmas.

No trânsito, as manifestações de apoio vieram das buzinas e dos acenos de motoristas e passageiros de automóveis e ônibus urbanos. Por volta das 20h, quando o "Junta Brasil" retornou à Avenida Rio Branco pela Avenida Presidente Itamar Franco, alunos da Escola Estadual Antônio Carlos se juntaram nos corredores do prédio e bradavam gritos de ordem junto com os manifestantes. 

 

 

Trânsito comprometido por 5 horas 

 Diferente do observado em outras cidades, onde a relação dos manifestantes com a Polícia Militar (PM) foi truculenta, em Juiz de Fora, a todo o tempo, os organizadores do "Junta Brasil" mantiveram um diálogo amistoso com os policiais. Segundo a PM, nenhuma ocorrência relacionada ao protesto foi registrada. De acordo com a corporação, 230 militares deram apoio ao ato, controlando o trânsito e mantendo a segurança da população.  Eles ficaram espalhados em diversos pontos do trajeto, antes mesmo do início da passeata. Em nenhum momento houve confronto com os manifestantes. Muitos jovens carregavam flores, pedindo paz entre as duas partes, outros usaram máscaras. "Meu medo era que acontecesse como em São Paulo, onde houve violência gratuita, por isto vim de máscara," contou a estudante Natália Fernandes.  Uma cena chamou a atenção: para "comprovar" que a relação com a polícia foi pacífica, alguns participantes do ato pediam para tirar fotos  de mãos dadas com os militares. 

O tráfego de veículos foi controlado pela PM e por agentes de trânsito. As vias foram interditadas e liberadas, seguindo o fluxo do ato, mas entre 17h 20e 22h30 o trânsito na região central ficou comprometido. Por volta de 17h20, o grupo saiu da Praça Jarbas de Lery, no Bairro São Mateus, região Sul, e tomou as duas pistas da Avenida Itamar Franco, que foi fechada. Às 18h, os manifestantes chegaram à Avenida Rio Branco, que também teve o trânsito interrompido por cerca de uma hora. Após a caminhada, o grupo, que pretendia terminar o ato em frente à Câmara Municipal, decidiu seguir até a Avenida Getúlio Vargas. Como o trajeto até a via não havia sido planejado pela PM e pela Settra, o trânsito era intenso na via. Os manifestantes precisaram esperar a interdição do tráfego para continuarem o percurso. Por volta de 20h, eles chegaram na Praça Antônio Carlos, e, após uma assembléia para decidir para onde iriam, resolveram voltar para a Rio Branco, com isso a Itamar Franco teve que ser novamente fechada.

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