Revelada na última semana, a articulação para colocar o deputado Bruno Siqueira (PMDB) no recém-criado Partido Social Democrático (PSD) foi vetada pelo Palácio Tiradentes. "Recebemos uma sondagem sobre a possibilidade de filiação do deputado (Bruno) para disputar a Prefeitura de Juiz de Fora, mas o Palácio pediu para aguardar devido à reeleição do (prefeito) Custódio (Mattos, PSDB)", disse o deputado Fábio Cherem, que deixou o PSL para se filiar ao PSD. Ele disse que o nome do peemedebista foi apresentado como opção devido à dificuldade encontrada para viabilizar sua candidatura no PMDB. Bruno, por sua vez, afirmou que recebeu o convite, mas recusou, como já havia feito em relação ao PSDB. Mesmo sem o deputado, a proposta do PSD é criar uma comissão provisória em Juiz de Fora nos próximos dias e lançar candidatos competitivos para vereador já nas eleições de 2012.
Ainda que infrutíferas, as conversas em torno da possível ida de Bruno para o PSD acabaram causando mal-estar na base do Governo Antônio Anastasia (PSDB) em Juiz de Fora. Tucanos ligados a Custódio reclamam de que ex-aliados seriam os responsáveis pelas sondagens envolvendo o futuro do peemedebista. A situação deve ser tratada hoje no encontro do prefeito com o governador. Fábio Cherem não contou como se deram as articulações, limitando-se a dizer que, "mesmo com um início de administração complicado, o Palácio (Tiradentes) aposta em Custódio para 2012." Quanto à participação do PSD no processo sucessório municipal, ele antecipou apenas que o futuro diretório local do partido estará "afinado com o desenvolvimento de Minas."
Na tarde de ontem, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, anunciou que o PSD conseguiu status de pessoa jurídica e CNPJ, podendo assim montar comissões provisórias em todo o país. O próximo passo será o pedido de registro político no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O novo partido conta com dois governadores, cinco vices, cinco senadores, 44 deputados federais, dezenas de estaduais, centenas de vereadores e, segundo Kassab, "figuras de expressão na política brasileira". Mesmo com nenhuma posição oficial em relação ao Governo da Presidente Dilma Rousseff, o PSD nasce próximo à base aliada, mas sem esquecer as relações com tucanos históricos, como o ex-governador José Serra. Na dúvida, o discurso segue no sentido da liberdade dos integrantes para atuarem conforme seus interesses.
Em Minas, a legenda será presidida pelo empresário Paulo Simão. Entre os membros mineiros, há deputados, prefeitos e vereadores vindos de partidos de oposição ao Governo federal. Ninguém, no entanto, oriundo do PSDB.
