Uma decisão judicial da 2ª Vara Cível da Comarca de Juiz de Fora pode obrigar o diretório municipal do PSDB a realizar novas eleições para definir o comando da legenda na cidade. Após analisar mandado de segurança impetrado por pessoas ligadas à chapa derrotada no pleito realizado no dia 9 de maio deste ano, o juiz Luiz Guilherme Marques apresentou entendimento de que a convenção “feriu as normas que regem o estatuto do partido” por permitir a participação de filiados à agremiação após 9 de novembro de 2014, seis meses antes do pleito. Assim, julgou procedente um pedido que questionava a votação e deliberou pela realização de nova disputa. Na contenda anterior, a chapa encabeçada pelo vereador Rodrigo Mattos (PSDB), eleito presidente municipal da legenda, venceu a composição encabeçada pelo deputado estadual Lafayette Andrada (PSDB) por 517 a 207 votos.
As eleições tucanas foram marcadas por polêmicas desde o início. Durante o pleito realizado na Câmara em maio, o grupo derrotado apresentou um mandado de segurança, também assinado pelo juiz Luiz Guilherme Marques, intimando a comissão executiva juiz-forana a realizar a disputa conforme determina o estatuto partidário – impedindo a participação de filiados a menos de seis meses. A orientação acabou ignorada após a deliberação da executiva tucana, sob o entendimento de que o diretório municipal não havia sido notificado a tempo da recomendação judicial. À época, outro argumento utilizado para a manutenção da disputa foi a resolução da executiva nacional, de dezembro do ano passado, considerando os filiados há mais de 30 dias aptos a participarem das votações para a definição dos diretórios do partido.
De certa forma, nem a decisão judicial aplaca a distância do discurso dos dois grupos. A atual cúpula tucana mantém o posicionamento de que seguiu a recomendação do diretório nacional – resolução que não foi abordada na sentença proferida pela 2º Vara Cível – e entende que a realização de nova convenção deve ser definida por consulta à executiva nacional. Até uma orientação acerca do desdobramento jurídico, Rodrigo afirma que permanece no comando do braço local da agremiação. “Seguimos estritamente as regras estabelecidas pela executiva nacional, assim como ocorreu na escolha de outros diretórios. Vamos encaminhar essa decisão a eles e aguardar uma orientação. Lamentamos que uma decisão democrática não tenha sido acatada. Mas até lá, não vamos deixar o partido acéfalo. Temos compromissos”, considerou Rodrigo.
Já a ala liderada por Lafayette entende que as eleições devem ser definidas pela direção estadual da sigla, que também deve indicar uma comissão provisória para comandar os rumos da legenda em Juiz de Fora. Apesar disso, Lafayette ainda não fala abertamente sobre a montagem de uma nova chapa. De olho em 2016, defende que o partido não pode perder a unidade. “Temos que buscar a harmonia e trabalhar para uma chapa única. O mais importante é chegarmos unidos em 2016, com uma candidatura própria à Prefeitura”, defendeu o parlamentar.

