Em ambiente pouco amistoso entre oposição e situação, a Câmara Municipal aprovou projeto de lei do Executivo que autoriza a Prefeitura a celebrar empréstimo de R$ 5 milhões junto ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). Os recursos serão utilizados para a construção de uma ponte ligando a Rua Humberto de Campos, no Bairro Santa Terezinha, à Avenida Brasil, no Bairros São Dimas, próximo à rodoviária. O financiamento integra o programa "BDMG urbaniza", com quitação prevista para seis anos, sobre os quais incidem juros anuais de 8%, além de correção monetária. A proposição recebeu aval do Legislativo nesta terça-eira (16) à noite, após três sessões extraordinárias marcadas com o único intuito de debater a matéria.
A apreciação do projeto, entretanto, recebeu posicionamento contrário do grupo oposicionista formado pelos vereadores Roberto Cupolillo (Betão, PT) e Wanderson Castelar (PT). Desde o primeiro momento, os petistas lamentaram a celeridade dada à peça, que entrou em tramitação no dia 24 de junho. "Será tomado empréstimo de R$ 5 milhões, mas será pago algo em torno de R$ 7,5 milhões. Isso cinco meses após o anúncio de uma dívida herdada da gestão passada, que refletiu na campanha salarial dos servidores", afirmou Betão. Entre outros pontos, a oposição insinuou que a intervenção possa atender a interesses privados. "A instalação de um shopping center na região poderá levar algumas pessoas a entenderem que trata-se de um facilitador para o empreendimento", declarou Castelar.
Apesar das ponderações oposicionistas, a sensação era de que a matéria seria aprovada de forma tranquila. Até que desentendimentos na condução dos trabalhos funcionaram como ponte para enfrentamento entre Castelar e o presidente da Câmara, Julio Gasparette (PMDB). A rusga surgiu após Gasparette tentar interromper posicionamento de Betão, alegando que o regimento interno havia sido infringido. "Vou encaminhar pedido de vista como forma de retaliação à maneira como a presidência vem tratando a bancada petista." A movimentação poderia comprometer o projeto, já que o prazo para a contratação do empréstimo se expira no dia 30, e acabou derrubada pelos vereadores, em prática pouco comum no Palácio Barbosa Lima. Betão, José Márcio (PV) e Jucelio Maria (PSB) foram os únicos solidários ao pleito de Castelar. Com o aval da maioria, a votação teve sequência, e o projeto, aprovado.
