
Político tinha 73 anos e sofria de pericardite
Atualizado às 13h
Morreu na madrugada desta quinta-feira (15), em São Paulo, aos 73 anos, o ex-deputado estadual Fernando Rainho, em decorrência de complicações de uma inflamação no coração. Natural de Juiz de Fora, Fernando Rainho estava internado há mais de quatro meses no Hospital São Luiz, no Bairro Morumbi. O corpo está sendo trasladado da capital paulista e será velado a partir das 8h desta sexta-feira (16), no Cemitério Parque da Saudade. Ainda não há informações sobre o horário do sepultamento.
Rainho descobriu a doença durante uma visita a São Paulo em novembro do ano passado, para comemorar o aniversário de uma de suas netas. Foi nesta época diagnosticado com pericardite, uma inflamação em um dos músculos do coração. O ex-deputado deixa mulher e quatro filhos.
Entre os amigos mais próximos, a notícia foi recebida com bastante emoção. "Foi uma morte muito prematura e uma perda irreparável na história, sobretudo política e cultural, de Juiz de Fora", lamentou o engenheiro e amigo, José Alberto Bedendo. O advogado e também amigo, Paulo Roberto Medina, vai além. "A morte do Rainho, como a do Mello Reis, no ano passado, traz a sensação de que toda uma geração está desaparecendo. Foi um companheiro de muitas lutas e, sem dúvidas, fará muita falta."
Trajetória
Bacharel em Direito, Fernando Antônio Rainho Thomáz Ribeiro foi um importante político durante a década de 1970, quando se tornou secretário de Governo da administração municipal e, posteriormente, deputado estadual. Mas foi antes, na década de 1960, que a vocação política emergiu, por entre os corredores da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
"Nós fomos contemporâneos, apesar do Rainho ter se formado um ano depois. Eu me recordo com muita nitidez a eleição de 1961 para o Diretório Acadêmico. Eu era o atual presidente do diretório e apoiava a candidatura do Rainho. A sua vitória neste ano foi muito comemorada por nós. Não foi uma disputa fácil, pois, àquela época, o meio universitário possuía facções políticas bem definidas e as eleições eram acompanhadas e endossadas pelos partidos.", se lembra o Conselheiro Federal da OAB e amigo pessoal de Rainho, Paulo Roberto Medina, que, depois de formados, dirigiram juntos a Faculdade de Direito. "Aquelas eleições nos uniram de uma tal maneira, que anos depois ele veio a ser meu vice-diretor, no período em que estive à frente da faculdade."
Foi nesta mesma época e ambiente que despontavam outros importantes nomes políticos como o do ex-ministro Henrique Hargreves e do ex-prefeito Tarcísio Delgado. Também na UFJF, foi professor e sucedeu João Luiz Alves Valadão na cátedra de Direito Constitucional, além de ter ajudado a fundar outras duas importante escolas superiores da cidade, o Centro de Ensino Superior (CES) e a Estácio de Sá, da qual foi reitor.
Em 1977 integrou o primeiro escalão do governo Mello Reis. Durante o mandato, a princípio até 1981 e depois estendido até 1983, ocupou a Secretaria de Governo e foi braço direito de Mello, de quem era muito amigo. Em seguida, logo após o fim do governo Mello Reis, concorreu e venceu as eleições para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Foi deputado estadual, entre os anos de 1983 e 1987, pelo extinto Partido Democrático Social (PDS), sucessor do Arena, e que, em 2003, após muitas fusões, se tornaria o Partido Progressista (PP).
Filho da escritora juiz-forana, Cleonice Rainho, Fernando também desempenhava importante papel no meio cultural. Atualmente compunha o Conselho de Amigos do Museu Mariano Procópio, do qual Douglas Fazzolato, diretor do museu, se recorda do último encontro. "Me lembro da nossa última reunião. Rainho era um dos mais dedicados e atuantes conselheiros, e, sobretudo nesta ocasião, demonstrou suas preocupação com a duração da restauração e com a reabertura do museu." Paulo Roberto Medina, que também faz parte deste conselho, se lembra deste encontro. "Ele se mostrou muito preocupado com o fato de o museu estar fechado há anos. Ele era muito participativo e incisivo, apesar de elegante, em suas manifestações e fará muita falta nas atuais ações do conselho."

