Teve início ontem o movimento nacional de paralisação do magistério, que prossegue até amanhã. Os servidores da rede municipal e estadual de Juiz de Fora realizaram ações durante todo o dia, aderindo à convocação feita pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE). Conforme o Sindicato dos Professores de Juiz de Fora (Sinpro), a participação da categoria foi de 92%. Já a Secretaria de Educação divulgou número inferior, de 81%. Nas escolas do estado, a adesão foi menor e, segundo representantes do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), o primeiro dia de movimento superou as expectativas e mobilizou aproximadamente 65% dos servidores da região. A Secretaria de Estado de Educação (SEE) não divulgou dados locais, mas informou que apenas 6,4% das 3.779 escolas estaduais foram afetadas. A SEE ainda calculou que 2.187 professores, 1,15% de um total de 189 mil, cruzaram os braços.
A greve nacional de três dias defende a valorização do magistério e do cumprimento da Lei do Piso, que estabelece piso salarial nacional, dedicação de um terço da jornada às atividades extraclasse e recebimento do reajuste anual proporcional ao custo-aluno. Os servidores estaduais também lutam para que o reajuste de 22,22% do piso, autorizado pelo MEC, seja aplicado a todos os trabalhadores da educação. Reafirmamos que, com a política de subsídio, não há cumprimento do piso no estado, disse a coordenadora-geral do Sind-UTE, Victória Mello.
Pela manhã, representantes do Sind-UTE, professores, pais e alunos de escolas estaduais, participaram de um apitaço realizado no corredor do prédio onde funciona a Superintendência Regional de Ensino, no Centro da cidade. O protesto foi contra a redistribuição de turmas em algumas escolas, determinada pela Resolução 2.018/2012 da SEE. De acordo com a coordenadora de comunicação da subsede do Sind-UTE em Juiz de Fora, Yara Aquino, foram apresentadas questões de cunho pedagógico, como superlotação das salas de aula e a junção de classes de séries diferentes no mesmo ambiente.
À tarde, os professores da Prefeitura realizaram assembleia no teatro do Pró-Música. Os docentes aprovaram por unanimidade a exigência de implementação imediata de um terço da jornada dedicado a atividade fora de sala de aula, o pedido de reajuste de 22,22% retroativo à janeiro deste ano, sob o argumento de que o aumento salarial deve seguir o valor referente ao custo-aluno, e o cumprimento da Lei 11.738/2008, em sua íntegra, respeitando o quadro de carreira. Os professores também vão cobrar do Município aumento da ajuda de custo para valorização do magistério e do adicional de incentivo, entre outras reivindicações. Conforme o coordenador do Sinpro Flávio Bitarello, o sindicato pretende entregar a pauta ainda hoje à Prefeitura.
Depois da assembleia, no fim da tarde, os docentes municipais seguiram em caminhada até o Calçadão , onde se reuniram com os servidores do estado e realizaram protesto em frente ao Banco do Brasil. Hoje, parte da categoria segue para caravana unificada dos movimentos sociais em Belo Horizonte, e o restante realiza novas manifestações no Centro de Juiz de Fora.
A SEE reforçou mais uma vez ontem que cumpre o piso nacional e afirmou que as medidas necessárias para implantar a jornada de um terço estão sendo adotadas. Em entrevista coletiva, em Belo Horizonte, a secretária de Estado de Educação, Ana Lúcia Gazzola, afirmou que Minas vai participar de um fórum nacional de negociações, que será liderado pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Também informou que, na I Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), realizada na semana passada, os secretários afirmaram que, apesar de serem favoráveis às medidas que valorizem o professor, esbarram em questões de ordem orçamentária e financeira.
