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Debate CBN discute desinteresse dos jovens pela política

debate cbn leo
Debate aconteceu na manhã desta terça-feira, na Rádio CBN Juiz de Fora (Foto: Leonardo Costa)
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A importância da participação do jovem nas eleições 2018 para a transformação política no país e a conscientização de que a personalização de candidaturas não deve se sobrepor às propostas na hora de votar foram alguns dos assuntos discutidos pelos convidados do programa Debate CBN, realizado na terça-feira (14), no estúdio da Rádio CBN Juiz de Fora. O programa foi comandado pelo apresentador Marcelo Juliani e contou com a participação do cientista político Paulo Roberto Figueira Leal, do juiz eleitoral Mauro Francisco Pittelli e da presidente do Comitê de Cidadania, Maria Aparecida Corrêa. O tema central do debate foi “Jovens e Política”.

Conforme publicado pela Tribuna de Minas, no último dia 2 , a participação do eleitorado adolescente de Juiz de Fora, com 16 e 17 anos, retraiu 35% nestas eleições em comparação com o pleito de 2014. A redução é uma tendência apresentada em todo o Brasil nos últimos anos. Na avaliação de Paulo Roberto, este movimento tem ocorrido também em outros países. “Há uma movimentação global de afastamento de alguns segmentos da sociedade em relação ao sistema partidário. Acompanhamos isto em países como Inglaterra e França, onde a democracia já está consolidada há mais tempo”, exemplifica. “Há uma percepção de que este sistema que foi consolidado nas últimas décadas não tem vocalizado as demandas. Mas a questão principal é que se os partidos atuais não nos servem é preciso fundar outros. A não participação do eleitor significa deixar tudo como está.”

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A importância da realização de projetos que envolvam o jovem na política foi destacada por Mauro Pittelli, que salientou a necessidade de que o tema também seja discutido nas escolas. “O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possui projetos como #partiumudar e Jovem Eleitor, que têm a proposta de incentivar esta participação. Acredito que a falta de interesse se dá por uma série de fatores, que vão desde a falta de maturidade e de contato com o assunto até mesmo o desânimo por conta do cenário político atual”, analisa. “Na minha geração, o jovem com 18 anos estava pronto para constituir família. Hoje é diferente, e isto se reflete também no aspecto político. Nós deveríamos ter uma formação política nas escolas, desde o ensino fundamental”, opina. “Mas é importante o jovem entender que ele não deve se esquivar, pois o voto dele vale tanto quanto de outro eleitor, e ele precisa participar mais do que nunca para ajudar o país a melhorar.”

Os projetos realizados em Juiz de Fora, como a Câmara Mirim e o Parlamento Jovem, também foram citados por Maria Aparecida Corrêa. Na avaliação da pedagoga, a falta de identificação dos jovens resulta na menor disposição para votar. “Eles não se sentem contemplados nos programas e nas falas dos candidatos. A corrupção e a desonestidade desestimulam a participação. Sabemos que a educação, a saúde e a segurança são o carro chefe para a organização do país, mas a honestidade é fundamental.” Ela também concorda que a falta de contato com o assunto prejudica o interesse dos adolescentes. “Em pesquisa que fizemos nas escolas, vimos que muitos alunos não sabiam que é possível votar antes dos 18 anos. Temos que conversar mais sobre política, em casa e no ambiente escolar.”

Participação nas redes sociais não é suficiente

Apesar da redução dos eleitores jovens nestas eleições, a política está entre os assuntos mais comentados na internet, inclusive entre esta parcela da sociedade. “As pessoas têm a falsa sensação de que basta a participação nas redes sociais para fazer mudança. É claro que mais pessoas falando sobre suas posições políticas é sempre bem vindo, mas não é suficiente para provocar uma transformação”, afirma o cientista político Paulo Roberto Figueira Leal. “Transformar a política num debate cotidiano é fundamental, e é preciso aprender a debater de forma mais civilizada”, pondera.

O especialista alerta que o momento não é de personalizar candidaturas, mas sim de avaliar propostas. “O que está em jogo é para onde queremos ir nos próximos quatro anos, por isso, a importância da conscientização de que não se trata da candidatura de a, b ou c, mas de qual é o projeto de sociedade que queremos para nós. Não é hora de personalização dos candidatos, mas de avaliação dos projetos para o nosso país. Em nome da crítica aos desvios democráticos, há quem defenda modelos autoritários de governo. Mas é fato que a mais falha democracia é melhor do que a ditadura, e todos os indicadores nos mostram isso.”

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A presidente do Comitê de Cidadania, Maria Aparecida Corrêa, orienta que todos busquem informações sobre os candidatos e propostas. “Hoje a informação é muito mais acessível, e esta pesquisa é de fundamental importância para fazer uma escolha consciente.” O juiz eleitoral Mauro Pittelli destacou que a não participação nas eleições significa transferir a responsabilidade de escolha para o outro. “É engolir um resultado que você não escolheu.”

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