
Com o fechamento da Central de Atendimento há 64 dias, os discentes estão sem comunicação com a UFJF
Com o corpo docente e os funcionários em greve, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) vive agora um momento de apagão depois que telefones e sites oficiais de toda a instituição ficaram fora do ar, praticamente impossibilitando contatos da comunidade acadêmica. Os problemas nos serviços telefônicos e na internet tiveram início na última sexta-feira, depois que os técnico-administrativos lacraram simbolicamente o Centro de Gestão do Conhecimento Organizacional (CGCO), que funciona no campus universitário como central de processamentos de dados da UFJF. O fechamento da unidade coincidiu com um desligamento de energia, que já estava previamente agendado pela Cemig. Com o corte, os equipamentos responsáveis pelo funcionamento de telefonia e internet foram desligados, e, desde então, os sistemas não foram reativados.
De acordo com o comando local de greve dos técnico-administrativos, o corte dos serviços de telefone e internet não foi proposital. "Deliberamos pelo ato na quinta-feira, seguindo orientação nacional. O objetivo era impedir a manutenção de duas ferramentas (o Siga Acadêmico, para evitar a realização de matrículas; e a plataforma Moodle, responsável por serviços de educação à distância) e forçar os reitores a intervirem junto ao Governo. Acabou coincidindo com o corte de energia, afetando os serviços", afirma Lucas Simeão, coordenador geral do sindicato que representa os técnico-administrativos da UFJF, o Sintufejuf.
A situação dificulta ainda mais o contato dos estudantes com a universidade. Sem aulas há 85 dias e com o fechamento da Central de Atendimento há 64 dias, os discentes estão com os canais de relacionamento com a instituição, física e virtualmente, fechados desde sexta-feira. Caio Belmont, 22 anos, estudante do 5º período de Medicina, reclama da inoperância do Siga. "Sou dependente de um plano de saúde e tenho que comprovar semestralmente que estou estudando. Normalmente, conseguiria imprimir este documento pela internet. Depois era apenas solicitar a assinatura do coordenador de curso", explica Caio, que receia perder o benefício.Casos como este, considerados de urgência, são avaliados pelo comando local de greve.
Alguns alunos já se mobilizam pelo Facebook para tentar reativar o sistema. Até o início da noite de ontem, cerca de cem pessoas se mostraram favoráveis ao movimento, que pretende levar o maior número de pessoas ao campus. Até o fechamento desta edição, o horário da ação não havia sido determinado. Ontem, os grevistas tiveram uma reunião com o vice-reitor da UFJF, José Luiz Resende Pereira, para tratar do problema. Reitor em exercício, ele manifestou, via assessoria, a preocupação da instituição com o comprometimento dos serviços de internet e telefonia. Apesar da conversa, o restabelecimento do sistema não foi solucionado. O Sintufejuf afirmou que não há qualquer impedimento para que o equipamento seja religado. A única exigência é de que as plataformas virtuais Siga e Moodle permaneçam inoperantes. As duas partes voltam a se reunir hoje à tarde. "Creio que chegaremos a um entendimento", afirma Simeão.
Hoje pela manhã, os técnicos, assim como os professores, realizam assembleia. À tarde, está prevista uma reunião do Governo com representação nacional da categoria.
Capes
Mais uma categoria de servidores federais cruzou os braços. Ontem, funcionários da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) deflagraram seu movimento. O órgão é responsável pelo financiamento de cursos de mestrado e doutorado nas federais do país. Hoje, os servidores de entidade ligada à promoção da pesquisa científica e tecnológica nas instituições de ensino federal, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pode anunciar adesão à onda grevista.

