No dia em que a greve na rede municipal completou um mês, o Sindicato dos Professores (Sinpro) deu início ontem à realização de piquetes nas escolas onde ainda há profissionais trabalhando. As ações se estenderão ao longo da semana com a previsão de visitas a duas unidades por turno. A agenda não será divulgada antecipadamente. Uma das instituições visitadas ontem foi a Escola Municipal Amélia Mascarenhas, no São Bernardo, Zona Sudeste. “Os que não entraram em greve alegaram problemas pessoais, como dificuldade em pagar os dias parados aos sábados, por exemplo. Mas todos mostraram consciência com relação ao momento e da quebra da nossa carreira. Ainda assim, convencemos muitos deles”, ponderou Aparecida de Oliveira Pinto, coordenador-geral do sindicato. O Sinpro aponta adesão de 82% da categoria, enquanto a Prefeitura diz que 30% dos docentes já retornaram ao trabalho.
A Secretária de Administração e Recursos Humanos, Andréia Madeira Goreske, lembra que já foram realizados cinco encontros até aqui e que o Executivo já apresentou duas propostas com o objetivo de equacionar o impasse. “Este tipo de piquete não acrescenta muita coisa. Já estamos percebendo que já há uma movimentação de retorno às aulas.” Ontem, Goreske convocou uma entrevista coletiva para esclarecer nota publicada pelo Sinpro na mídia local, em que o sindicato afirma que a Prefeitura “utiliza da má-fé e da mentira para confundir a população” e a afirma que o Executivo descumpre a legislação nacional do piso da categoria. Na nota, o Sinpro divulga o contra-cheque de um professor e destaca o item “salário”, cujo valor é de R$ 849,34, abaixo do definido pela Lei do Piso, que, levando-se em consideração a proporcionalidade para uma jornada de 20 horas, é de R$ 958,89. Em resposta, a Prefeitura ressaltou ontem que o mesmo documento publicado pelos docentes traz um outro item, o “salário piso magistério”, com o valor de R$ 109,34, complementação que elevaria os vencimentos ao mínimo exigido por legislação.
“A Prefeitura separou de forma que a categoria consiga identificar que há um adicional do piso do magistério, chegando a R$ 958”, diz Goreske. A complementação foi permitida graças ao disposto no artigo 9º da Lei 13.012/14, que permite a concessão de reajustes diferenciados em alguns caso. Segundo Goreske, apenas 53 docentes tiveram seus salários acrescidos pelo dispositivo. A retirada do artigo 9º, sob a argumentação de que o previsto quebra a carreira dos professores, é um dos pleitos que levou a categoria à greve. Uma nova rodada de negociação entre Sinpro e Executivo acontece na manhã de hoje.
