
Greve já dura quase 100 dias em MG
Em mais um ato da greve na rede estadual de ensino, que chega ao seu 98º dia, um grupo de professores se acorrentou na Praça Sete, no centro de Belo Horizonte, para cobrar do Governo de Minas o pagamento do piso nacional do professor, que é de R$ 1.187 para 40 horas semanais. Os docentes permaneceram com correntes presas às mãos e ao pescoço desde o início da manhã até as 19h de ontem. Em Juiz de Fora, está previsto um protesto da categoria hoje no Calçadão da Rua Halfeld. Na quinta-feira, acontece nova assembleia geral, na capital mineira, para avaliar o futuro do movimento.
Na última semana, o Governo apresentou proposta de um valor de piso de R$ 712 para 24 horas semanais a partir de janeiro de 2012. Os professores recusaram alegando que o valor oferecido não diferencia os docentes com ensino médio daqueles com nível superior ou pós-graduação. Ontem, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE) protocolou no Ministério Público Estadual (MPE) representação pedindo enquadramento do Governo por ato de improbidade administrativa pelo não cumprimento do piso.
A proposta governista considerou entendimento da Advocacia Geral da União (AGU) de que, proporcionalmente, o valor proposto em Minas está de acordo com a lei federal para o piso salarial nacional. O movimento grevista no estado deixou cerca de um milhão de estudantes sem aulas. Entidades ligadas aos pais dos alunos chegaram a pedir adiamento do Enem por conta dos prejuízos.
Ouvidoria
Também ontem, os deputados estaduais petistas Rogério Correia e Durval Ângelo, juntamente com o coordenadora do Sind-UTE, Beatriz Cerqueira, protocolaram na Ouvidoria Geral de Polícia pedido de investigação sobre o uso de pessoal e estrutura da Polícia Militar para supostamente monitorar servidores públicos em greve. A alegação dos professores é de que policiais militares à paisana estavam nas imediações da sede do sindicato monitorando as ações dos dirigentes como forma de coibir protestos. A suposta ação foi filmada por Rogério Correia.
O Governo de Minas e a Polícia Militar negaram o monitoramento. Por nota, garantiram transparência nos atos praticados por policiais. "A Polícia Militar tem do povo mineiro o reconhecimento do seu trabalho em proteção da vida, das pessoas, das instituições, da garantia do direito de ir e vir e dos preceitos constitucionais, ao assegurar os mais importantes processos e direitos democráticos, a liberdade de associação e de expressão, em cuja base repousa uma sociedade justa, livre e organizada."

