
Decisão foi tomada em assembleia geral da categoria
Os professores da rede municipal de ensino aprovaram ontem, em assembleia, a suspensão da greve hoje, com indicativo de retorno às escolas a partir de amanhã. Num placar equilibrado, a proposta defendida pelo próprio comando de greve e pela direção do Sindicato dos Professores (Sinpro) venceu a encampada pelo grupo "Sindicato pela base", que propôs a continuidade e a radicalização do movimento. Uma parcela da categoria também votou a favor da suspensão imediata da paralisação, que só não foi aprovada porque o Sinpro aguarda uma nova reunião com a secretária de Educação, Eleuza Barboza, marcada para esta manhã, a fim de negociar o calendário de reposição.
Uma conversa nesse sentido já foi realizada ontem, mas a secretária não concordou com a proposta da entidade de que um terço do conteúdo possa ser trabalhado de outras maneiras, como em estudos dirigidos, nem que haja uma sexta aula por dia durante a semana. "Eles têm que garantir o máximo de atividades presenciais. Podem usar seis sábados, a semana do dia 12 de outubro, as emendas de novembro, as semanas antes do Natal e do Ano-Novo. Com isso, muitas escolas conseguem cumprir seus calendários. Algumas, contudo, terão que entrar uma semana em janeiro", declarou. Os docentes, por sua vez, não aceitam repor as aulas no primeiro mês de 2012 e chegaram a cogitar jogar o fim da reposição para fevereiro. A secretária, porém, afirmou que isso não será possível. "Em fevereiro não tem a menor condição. Preciso das escolas prontas para iniciar o ano letivo. As férias da rede municipal são em julho. Janeiro é recesso, então podemos usar janeiro. Não tenho outro motivo para estar nesta secretaria senão garantir a qualidade de ensino e o mínimo de prejuízo para as crianças."
Os trabalhadores realizam mais uma assembleia hoje, às 14h, para discutir a questão, definir como vai ser feito o retorno às salas de aula e também estabelecer estratégias para manter a mobilização, independente da greve. As principais ideias levantadas ontem são a realização de paralisações mensais e até a não reposição das aulas enquanto não houver avanços nas negociações com a PJF. Apesar da decisão de suspender a greve e das divergências quanto aos rumos do movimento, a assembleia de ontem foi marcada pela indignação. "A resposta da Prefeitura foi nos atacar como nunca fomos atacados, e a nossa reação deve ser a nossa resistência. Imputar uma multa de R$ 50 mil diários ao sindicato foi uma medida política, não jurídica. Então temos que derrubá-la politicamente, resistindo", discursou a professora Victória de Fátima Mello, do "Sindicato pela base", ao defender a radicalização do movimento grevista.
Recuo tático
Mesmo entre os que apoiaram o retorno às aulas, o tom era de que seja mantida a mobilização. "Se insistirmos, significa a destruição do sindicato como organismo e risco à boa parte da categoria, como os contratados, os diretores…", destacou o dirigente da CUT, Péricles de Lima. A preocupação com a saúde financeira do Sinpro se deve ao fato de a multa imputada pela Justiça ao considerar a greve ilegal ter atingido hoje a cifra de R$ 600 mil. "Mas pior do que quebrar financeiramente o sindicato é deixar a categoria toda esfacelada, sem condições de fazer outras lutas. E temos outras lutas pela frente." O professor e também dirigente da CUT Oleg Abramov ressaltou que não considera o retorno às escolas uma derrota, mas um recuo tático. "Não tenho a greve como um princípio, mas como um meio. E quando voltar lá para o Santa Rita, vou fazer essa discussão com a comunidade e com os meus alunos."

