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Polícia civil ameaça greve

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Continua hoje a paralisação de 48 horas dos policiais civis mineiros, que reivindicam reajuste salarial e melhores condições de trabalho. Em Juiz de Fora, o protesto começou na manhã de ontem na porta da 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil, no Bairro Santa Terezinha, região Nordeste. Com cartazes e panfletos, os manifestantes tentaram chamar a atenção da população para o que chamam de falta de compromisso do Governo de Minas com a segurança. De acordo com o diretor do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil (Sindpol) regional Zona da Mata, Marcelo Armstrong, no próximo dia 29, delegados, investigadores e escrivães vão fazer uma nova assembleia na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte. Esperamos reunir seis mil policiais e, caso o Governo insista em não negociar, poderemos deflagrar greve por tempo indeterminado, garantiu.

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Segundo ele, os delegados lutam pela equiparação de salário com os defensores públicos, enquanto os investigadores e escrivães pleiteiam isonomia salarial com os peritos. Essa já é a segunda paralisação da categoria este ano. A primeira aconteceu no dia 28 de março. Trabalhamos com 30% do efetivo e só atendemos os casos essenciais, como flagrantes, cumprimento de mandados e alvarás de soltura, pontuou Armstrong.

A manifestação foi decidida durante assembleias do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de Minas Gerais (Sindepominas) e do Sindpol, realizadas nos últimos dias 7 e 8, respectivamente, em Belo Horizonte. Um dia antes, a Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão (Seplag), havia sinalizado ao Sindepominas a impossibilidade de negociação salarial este ano por causa do impacto financeiro. Além das paralisações, os delegados decidiram por não excederem as 40 horas semanais de trabalho.

Representante do Sindepominas no 4º Departamento de Polícia Civil e delegada há quase 25 anos, Dolores Tambasco confirmou a precariedade do sistema atual. O Estado bateu novo recorde de arrecadação e, em contrapartida, recebemos os piores salários do país. O efetivo de hoje é menor do que o de 2003, porque tivemos muitas aposentadorias e não foram feitas reposições de pessoal.

A titular do Grupo Tático Operacional (GTO) Família explicou que a demanda é bem superior às condições de trabalho oferecidas. Pelo número de mulheres que procuram atendimento e pela equipe reduzida que temos, ficamos com a sensação de dever não cumprido. E isso acaba causando também sensação de impunidade, porque os crimes podem não ser devidamente apurados, não fornecendo elementos suficientes para embasar as denúncias do Ministério Público. Ela lembrou que o movimento está sendo feito dentro da legalidade. Esperamos uma resposta do Governo. Queremos dignidade no trabalho.

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