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Marcus David propõe gestão participativa

marcus david em entrevista a radio cbn e a tribuna olavo prazeres12 01 16

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Marcus David, em entrevista à rádio CBN e à Tribuna (Olavo Prazeres/12-01-16)

Marcus David, em entrevista à rádio CBN e à Tribuna (Olavo Prazeres/12-01-16)

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Disputando pela segunda vez o cargo de reitor da UFJF, o professor da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis Marcus David foi o segundo candidato a participar da série de entrevistas promovida pela Tribuna, em parceria com a rádio CBN Juiz de Fora. Candidato da oposição, ele tem como vice a professora da Faculdade de Enfermagem, Girlene da Silva, pela chapa 1. Com duras críticas à atual gestão e à do ex-reitor Henrique Duque (2006-2009), Marcus propõe um modelo participativo, reforçando os conselhos setoriais, buscando apoio político para retomar obras. Ele também fala sobre os apoios políticos, ações de ciência e inovação e o esporte na universidade.

“A UFJF passa por um esgotamento de modelo de gestão”

O candidato Marcus David considera que a universidade passa por uma das “piores crise de sua história”. Ele elencou problemas como os atrasos no pagamento de bolsas de assistência estudantil e contratos de terceirizados, obras inacabadas, leitos vazios no HU. Segundo David, tudo isso se deve a um modelo personalista, de pouca transparência, praticado na época em que havia mais recursos disponíveis no setor público. “Com muito dinheiro, você esconde problemas, você pode ser ineficiente, ter desperdício e mesmo assim você atende às necessidades.” O candidato afirmou ainda que, com a crise orçamentária do país, a UFJF foi atingida em cheio devido ao modelo de gestão em vigor nos últimos nove anos, encabeçado pelos ex-reitores Henrique Duque e Júlio Chebli (2014-2015).

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“A ideia da gestão democrática não é um recurso retórico”

Marcos David garante que a transparência é o melhor meio para se estabelecer relações de confiança com a comunidade acadêmica, principalmente diante de um cenário de restrição orçamentária e financeira. O candidato se dispõe a fortalecer os conselhos setoriais, fazendo com que as decisões sejam tomadas em conjunto. Segundo ele, é preciso implantar o orçamento participativo na universidade, inclusive com a realização de audiências públicas em ambos os campi. Além disso, defende criar um portal da transparência interno, com divulgação mensal de relatórios de execução orçamentária e financeira. Para David, a gestão democrática é “permitir que um número maior de pessoas participe das decisões”.

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“O Campus de GV foi uma conquista da região, e a UFJF falhou”

Segundo o candidato, o Campus de Governador Valadares (GV) foi uma conquista para a região, mas passa por uma “realidade assustadora”. Com custo inicial que supera R$ 400 milhões, o campus recebeu, por intermédio da comunidade de Valadares, o valor de R$ 60 milhões, que foram gastos apenas na obra de terraplanagem. O fato inclusive está sendo investigado pelo Tribunal de Contas da União e o Ministério Público Federal. Segundo David, será preciso rever o projeto inicialmente, superar os problemas legais que o envolvem e, posteriormente, buscar apoio político para a captação de mais recursos.

“É um comportamento que ocorre em todos os lugares”

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Sobre os atrasos na execução das obras em Juiz de Fora, Marcus David considera que os problemas são decorrentes do modelo de gestão dos últimos anos. Segundo ele, o valor executado na obra do HU é acima do pactuado junto ao MEC. Além disso, há faculdades como a de Fisioterapia funcionando sem sede própria. Ele afirma a necessidade de dar prosseguimento a obras como a da Faculdade de Comunicação Social. Sobre as prioridades de andamento dessas obras, em comparação com as obras externas, afirma que será uma decisão tomada pelo Conselho Universitário (Consu).

 

“Modelo de gestão inviabiliza Farmácia Universitária”

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Segundo o candidato, a Farmácia Universitária tem obras pendentes e vive hoje um problema de gestão. Por essa razão, ele afirma que o serviço está comprometido tanto no atendimento à população quanto na formação dos alunos. Marcus David se compromete a promover um esforço para retomar o modelo gestão “que dê a dinamicidade que a farmácia precisa.”

“Temo que a história nos mostre que a UFJF aproveitou muito mal o período de grandes investimentos”

Em relação ao apoio estudantil, Marcus David afirma a sua proposta foi debatida com a contribuição dos estudantes. Ele reforça a necessidade de se garantir bolsas, alimentação e saúde, mas reforça que é preciso criar um comitê para a política de assistência estudantil, a fim de assegurar a participação nas decisões. Sobre a moradia estudantil, o candidato criticou a demora na ocupação do local e os problemas estruturais, como a falta de espaço. Sobre a construção de um novo prédio da moradia já anunciado pela UFJF, ele afirma que não é possível garantir, em função das restrições orçamentárias e da necessidade de dar andamento às obras inacabadas.

 

“Nosso grupo é muito amplo”

Questionado a respeito do apoio político da ex-reitora e atual deputada federal Margarida Salomão (PT), o candidato afirma que associar o seu nome ao dela é “reduzir a discussão”. Ele afirma que Margarida se preocupa agora com problemas de outra dimensão, tendo em vista sua atuação no Congresso. No entanto, acredita que, se a deputada ainda desempenhasse a função de professora na Faculdade de Letras, cargo do qual é aposentada, ela seria uma de suas eleitoras. Sobre o apoio de professores e técnicos que lideraram greves na UFJF durante o ano passado, disse que o seu grupo “é amplo”, incluindo as pessoas que participaram da paralisação e aderiram à sua candidatura. Além disso, reforça o desempenho dos grevistas durante o movimento, principalmente com a campanha “Abre as contas reitor”.

“Não se pode pensar em Parque Tecnológico como empreendimento imobiliário”

A partir de emenda constitucional, que permite à universidade realizar pesquisas em parceria com empresas, Marcus David defendeu a implantação do Parque Tecnológico e o investimento em pesquisa para gerar inovação. No entanto, disse que é necessário ampliar as áreas compreendidas pelo projeto, englobando setores como bioenergia e tratamento de resíduos sólidos. O candidato disse que a universidade precisa ser favorecida pelos recursos gerados pela inovação, inclusive garantindo a remuneração extra para os seus pesquisadores. Defendeu que as empresas juniores sejam integradas ao Parque Tecnológico, garantindo-lhe mais espaço e oportunidade de atuação.

 

“Talvez não vamos potencializar ao máximo as Olimpíadas na UFJF”

Em relação à recepção de delegações estrangeiras pela Faculdade de Educação Física durante as Olimpíadas, o candidato vê a iniciativa com bons olhos para a comunidade acadêmica e a região. No entanto, ressaltou que não será possível potencializar a Olimpíada aqui, já que algumas estruturas como o novo ginásio ainda não estão prontos. Em relação ao JF Vôlei, Marcus David reconhece ser uma oportunidade esportiva de alto desempenho, mas afirma que a UFJF não pode ser a financiadora do projeto. “A UFJF pode ser a gestora, mas não se pode exigir que ela use do seu orçamento, já escasso, para financiar o time de vôlei.”

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