Dentre as candidaturas ao parlamento estadual e federal com domicílio eleitoral em Juiz de Fora, seis políticos com mandato em exercício ampliaram em mais de 10% o patrimônio entre a última declaração de bens à Justiça Eleitoral e o pleito a novos cargos públicos este ano. Três candidatos registraram crescimento patrimonial superior a 60% na lista de bens declarados ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Isauro Calais (MDB), candidato à reeleição na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), declarou R$ 697.663,56 – o patrimônio saltou 123% em comparação ao registrado em 2014, que foi de R$ 312.776,89, quando o ex-vereador de Juiz de Fora foi eleito como deputado estadual.
O levantamento foi feito pela Tribuna, a partir do sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais (DivulgaCandContas), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), através da consulta dos bens declarados por 15 candidatos. Dentre as candidaturas avaliadas, o vereador Adriano Miranda e o ex-prefeito Bruno Siqueira (MDB), ambos candidatos à Assembleia Legislativa, são os que têm o maior patrimônio, avaliados em mais de R$ 2 milhões cada. Na análise dos detentores de mandato, apenas Bruno Siqueira e o ex-secretário de Estado de Desenvolvimento Integrado e Fóruns Regionais Wadson Ribeiro (PCdoB) – suplente na Câmara dos Deputados – estão sem cargo eletivo.
“O que alterou é que eu tinha um automóvel e a minha mulher também. Mas ela não era minha dependente”, pontua Isauro. “Ela trabalhava, recebia e tinha a sua própria declaração (de Imposto de Renda). Quando ela saiu da empresa (dela), nós vendemos os nossos carros e compramos, para ela, um carro para ficar com ela. Para não ficar a pé, comprei um Fox. O que alterou na declaração foi o valor de um Toyota Corolla 2013 usado, de R$ 62 mil, para o valor de R$100 mil de um Mitsubishi Outlander 2015.” Ao mesmo tempo, segundo ele, a esposa abriu um negócio próprio, que aparece na declaração como quinhões de capital no valor de R$ 20 mil.
Além disso, na declaração de Isauro Calais, há investimentos em contas bancárias, entre cadernetas de poupanças e conta corrente, que somam R$ 77.872,75. Consta ainda a aquisição de um terreno no Bairro Industrial, adquirido entre 2014 e 2018. “A outra questão é o lote. Eu tenho um lote na Zona Norte de R$ 181 mil.” O bem não constava no documento apresentado à Justiça Eleitoral em 2014. No que diz respeito aos montantes em poupança e conta corrente, Isauro afirma que “como muitos candidatos, eu tive que poupar alguma coisa para fazer a minha campanha, senão nem campanha eu teria”.
“A minha declaração é aberta”
O presidente estadual do PCdoB, Wadson Ribeiro, suplente na Câmara dos Deputados desde 2010 – ocupou uma cadeira entre janeiro de 2015 e abril de 2016 -, soma R$ 672.691,98 em patrimônio, valor 69% maior considerando a quantia total registrada em 2014, R$ 397.819,88. “A minha declaração é aberta. Corresponde à valorização e aos percentuais estabelecidos pelo mercado. Eu não mascaro isso. Estou muito seguro dessa evolução, porque o valor absoluto é um valor pequeno mediante às atribuições que assumi nos últimos dez anos. E, também, porque é uma declaração incorporada à da minha esposa, que é advogada.”
Além de R$ 84 mil em dinheiro em espécie, a valorização de um imóvel e os investimentos em cadernetas de poupança e em um plano previdenciário privado elevaram a soma total do patrimônio do candidato. “Como você pode perceber, não é um patrimônio milionário, como o da maioria dos candidatos. É o mesmo apartamento (declarado em 2014). (Assim como) é o mesmo veículo. É a segunda campanha que faço com ele (veículo). Muita gente não declara ou maquia a declaração. Há pessoas que, há muitos anos, são parlamentares ou assumem cargos públicos com salários grandes que apresentam patrimônios incompatíveis com isso.” Secretário de Estado de Desenvolvimento Integrado entre 2017 e 2018, Wadson pleiteia uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Noraldino tem aeronave e casa de R$ 1 milhão
Desde que foi eleito, em 2014, como deputado estadual, o ex-vereador Noraldino Júnior (PSC) acumulou aumento de 61% em posses. No período, o deputado comprou uma aeronave, avaliada em R$ 270 mil, e registrou a valorização de uma casa em 100%, registrada no valor de R$1 milhão. “O patrimônio citado é referente à declaração de bens que a Justiça Eleitoral exige. Ela não exige a declaração de débitos”, afirma o candidato à reeleição na Assembleia Legislativa, justificando a utilização de empréstimos para a aquisição dos novos bens. “Teve crescimento de patrimônio em cima do que eu recebo e de empréstimos realizados.” O patrimônio, de R$1.322.000, soma ainda três veículos, incluindo a aeronave e do imóvel.
Questionado sobre a aeronave, Noraldino informou que a comprou neste ano “para a campanha, para deslocamento pelo estado” e, sobre o imóvel, disse ser “outra casa. Eu troquei de casa”. O deputado reforçou que a “declaração diz respeito a valores reais. O valor que vale é o que está declarado”.
Pestana diz que há erro no sistema
Pleiteando a reeleição na Câmara dos Deputados, Marcus Pestana (PSDB), cujo patrimônio declarado aponta aumento de 39%, diverge do valor de um imóvel registrado pelo sistema do TSE em 2014 e, portanto, assegura que o patrimônio caiu. À época, o DivulgaCandContas atribuiu o valor de R$150 mil a 50% de um apartamento de Pestana no Bairro Anchieta, em Belo Horizonte. Para o deputado, o imóvel “valia R$ 500 mil. O valor do apartamento era R$ 1 milhão, e eu tinha R$ 500 mil. Não sei de onde tiraram esses R$150 mil. Está errado. É um erro de lançamento do sistema. Eu era casado e tinha metade de um apartamento com a minha ex-mulher”.
Pestana diz que se separou em 2014 e, em 2015, ela comprou a sua parte. “Como eu não sou milionário, não tenho outra fonte de renda e não sou corrupto, vivo do meu salário. Como ele ficou congelado quatro anos e teve inflação alta, o meu padrão de vida, como o de outros brasileiros, caiu. O meu patrimônio, ao invés de subir, caiu.” Os bens declarados à Justiça Eleitoral no registro da candidatura somam R$ 774 mil; o valor diz respeito a um veículo e a um apartamento.
Valorização de imóveis
Candidatos à Assembleia Legislativa, o deputado estadual Antonio Jorge (PPS) e o vereador Charlles Evangelista (PSL) ampliaram o patrimônio em, respectivamente, 14% e 10%. O comparativo, entretanto, é distinto, uma vez que Charlles ingressou na vida pública somente em 2016. Quando concorreu à Câmara Municipal, o candidato do PSL declarou possuir R$ 582.500. Em dois anos como vereador, seus bens cresceram para R$ 672 mil. “O meu crescimento é (em razão) de valorização de imóvel mesmo. Eu não comprei mais nada. Na verdade, eu vendi”, afirmou Charlles. Em comparação a 2016, o vereador deixou de ter os dois veículos de sua posse e R$ 50 mil em quinhões de capital. O incremento, entretanto, dá-se pela valorização de terreno, de R$ 8 mil para R$ 30 mil, e por R$ 200 mil em espécie, o que é justificado “pelas vendas”.
Em busca do segundo mandato como deputado estadual, Antonio Jorge declarou R$ 1.589.995,78 ao TRE , patrimônio 10% maior em relação àquele registrado há quatro anos. Apesar de ter diminuído, em quantidade, o número de veículos e as quotas e os quinhões de capital, a valorização de apartamentos e terrenos impulsionou o crescimento. “O que eu posso dizer em relação ao imposto de renda é dar o testemunho que sou um servidor público que vivo do salário. A minha variação patrimonial é absolutamente compatível com a renda da minha família, no caso, minha esposa e eu. E não houve mudanças patrimoniais.”
Dois apartamentos de sua posse, em 2014, somavam R$ 695 mil e, hoje, estão avaliados em R$ 938.542,30, o que, para o candidato, não é uma valorização significativa. “Eu vendi um (apartamento) por R$ 700 mil e comprei outro por R$ 500 mil. (A valorização) deve ser por conta da reforma de um dos apartamentos. Eu moro nele há 20 anos”, conta Antonio Jorge. Além disso, o valor de um dos terrenos do deputado subiu de
R$ 40 mil para R$ 148.598,75, alta atribuída por ele à construção de “um chalé dentro de um sitiozinho em Ibitipoca”.
Patrimônios desvalorizados
O patrimônio declarado pelo deputado estadual Lafayette Andrada (PRB) ao TRE é 55% inferior àquele registrado em 2014. À época candidato à reeleição na Assembleia Legislativa, Lafayette registrou bens no valor de R$ 1.675.412,58. Pleiteando, nestas eleições, uma vaga na Câmara dos Deputados, o candidato declarou posse de R$ 751.126,90. Conforme a assessoria do deputado estadual, “a diminuição do patrimônio aconteceu em razão da partilha de bens com a ex-mulher após a separação”.
Candidato à reeleição como deputado federal, Júlio Delgado (PSB) declarou, também, patrimônio inferior àquele de 2014. A avaliação dos bens de Júlio caiu de R$ 921.007,43 para R$ 650.191,75, perda correspondente a 29%. “Eu vendi uma casa, um carro e um apartamento, e comprei um outro apartamento. O dinheiro que sobrou eu investi em aplicações.” Há quatro anos, o deputado federal declarou uma casa e um terreno – ambos localizados no Bairro Quintas da Avenida -, dois apartamentos no Centro, um veículo e depósitos bancários. Na declaração de bens atual, entretanto, há apenas um apartamento, além de aplicações de renda fixa e depósitos bancários.
O patrimônio declarado pelo presidente da Câmara Municipal e vereador Rodrigo Mattos (PHS) à Justiça Eleitoral é o mesmo de 2016: um veículo. O candidato, por meio de sua assessoria, confirmou à reportagem “que o patrimônio é o mesmo, não se alterou (em relação a dois anos atrás)”. Portanto, de R$ 69 mil, o valor do carro caiu, naturalmente, em dois anos, para R$ 48.368. Assim como Lafayette e Delgado, Rodrigo concorre a uma cadeira na Câmara.
Adriano Miranda e Bruno Siqueira têm patrimônios milionários
Dentre as candidaturas avaliadas pela Tribuna, o vereador Adriano Miranda e o ex-prefeito Bruno Siqueira (MDB), ambos candidatos à Assembleia Legislativa, são os que têm o maior patrimônio. Os bens de Adriano Miranda, médico de carreira e professor efetivo da Faculdade de Medicina da UFJF, incluem três casas – nos bairros Aeroporto, Bonfim e Granbery -, avaliadas em R$ 2.430.000. Desde que assumiu, em 2016, cadeira na Câmara Municipal, seu patrimônio decresceu 8%. Ficaram de fora da declaração deste ano, um veículo, cujo valor registrado era R$ 40 mil, e uma sala, localizada no Bairro São Mateus, de R$ 180 mil.
Pleiteando retorno ao Legislativo estadual após os seis anos em que ocupou o cargo de chefe do Executivo Municipal, Bruno Siqueira declarou R$ 2.334.337,46. A somatória corresponde a um veículo, um terreno, apartamentos e imóveis, além de investimentos financeiros como quotas e quinhões de capital, aplicações de renda fixa e fundo de longo prazo.

