Se ainda é cedo para saber se haverá um juiz-forano concorrendo ao Governo de Minas ou a uma cadeira para o Senado nas eleições de 2014, é praticamente certa a presença das principais lideranças do município na condução da sucessão mineira. Depois de o deputado federal Marcus Pestana (PSDB) ser reconduzido à presidência estadual tucana, o também deputado federal Júlio Delgado (PSB) está bem perto de assumir o comando mineiro dos socialistas. Embora mais distante, pois o processo de eleições direta petista só acontece em novembro, a deputada federal Margarida Salomão (PT) não descarta a possibilidade de lançar sua candidatura ao comando do partido em Minas, caso não seja viabilizada uma chapa de consenso. Fechando a lista dos partidos com pretensões de ingressar na disputa majoritária no estado, o PMDB mineiro tem em Juiz de Fora sua maior prefeitura, o que coloca o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) interlocutor destacado na legenda.
Mesmo com eventuais insucessos de Júlio e Margarida nas suas empreitadas internas, dificilmente os dois, assim como Pestana e Bruno, deixarão de opinar e interferir nos rumos da sucessão mineira. Dos quatros, a tarefa que se apresenta mais ingrata atualmente é a de Pestana. Com o PSDB de Minas sem candidato natural à sucessão do governador Antonio Anastasia (PSDB), o risco de o partido deixar o poder no estado após 12 anos é considerável. O problema, tratado recentemente pelo senador Aécio Neves (PSDB) durante encontro com os concorrentes em potencial, envolve o risco de dispersão do grupo em decorrência da disputa interna. Quanto a isso, o próprio Pestana, além do secretário de Estado Ciência Tecnologia, Narcio Rodrigues (PSDB), do presidente da Assembleia de Minas, Diniz Pinheiro (PSDB) e do vice-governador Alberto Pinto Coelho (PP), foram orientados a conter os ânimos e encurtar a abrangência das movimentações domésticas.
A principal preocupação dos tucanos mineiros é evitar a conjugação de derrotas no estado e no país. Isso pode acontecer caso Aécio, depois de viabilizar sua candidatura à Presidência da República, não seja eleito, e o candidato governista em Minas não obtenha sucesso. Para evitar tal cenário, há no partido quem defenda até a saída do senador do páreo presidencial para voltar a disputar o Palácio da Liberdade. A aposta não pode ser considerada absurda principalmente quando se tem no campo adversário a já consolidada pré-candidatura do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT). Diferentemente das outras eleições, os petistas mineiros caminham para iniciar o ano eleitoral com um nome de consenso. O clima de unidade na legenda anda tão promissor que não está descartada uma chapa de consenso nas eleições internas. Caso isso ocorra, Margarida deve ser integrada ao novo comando estadual.
A situação do PSB em Minas também segue indefinida, mas com bem menos variáveis do que as dos tucanos. O primeiro impasse dos socialistas mineiros deve ser resolvido ainda este mês, quando vence o prazo de validade da comissão provisória estadual. A principal aposta é de que Júlio Delgado, com o apoio do governador de Pernambuco e presidente nacional do partido, Eduardo Campos, seja indicado para suceder o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia. Passada essa fase, restará a definição da candidatura ao Governo de Minas. O mais cotado continua sendo o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), que, por ser ligado a Aécio, tem se esquivado da empreitada. O próprio Júlio Delgado é apontado como um nome em potencial. Recentemente, o deputado federal Leonardo Quintão (PMDB), que foi preterido pelo partido na indicação para o Ministério da Agricultura, revelou ter sido sondado para ingressar nas fileiras socialistas. Sua chegada, no entanto, não implicaria na condição de candidato ao Governo.
Custódio e Duque no páreo
Se na disputa majoritária estadual ainda é incerta a presença de juiz-foranos, crescem os nomes na lista de possíveis candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia de Minas com domicílio eleitoral no município. Menos povoado nesse início de articulações, a disputa por uma cadeira no Parlamento mineiro pode ganhar dois concorrentes de peso. Adaptado a Belo Horizonte, onde atua como secretário de Desenvolvimento da Prefeitura de Belo Horizonte, o ex-prefeito Custódio Mattos (PSDB), não tem relutado quando correligionários e amigos insinuam quanto a uma possível candidatura sua a deputado estadual.
Se a ideia vingar, ele pode ter como adversário direto o reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Henrique Duque, que deve anunciar sua filiação partidária até outubro deste ano. No mesmo páreo são consideradas certas ainda as presenças dos vereadores Noraldino Júnior (PSC), Wanderson Castelar (PT) e Isauro Calais (Mobilização Democrática – MD). Esse último deve deixar, nos próximos dias, a recém-criada MD e se filiar ao PMDB, do prefeito Bruno Siqueira. Quem também pode deixar o novo partido é o secretário de Estado da Saúde, Antônio Jorge Marques, cotado para a disputa pela Assembleia. Seu possível retorno ao PSDB esteve na pauta da última reunião da executiva municipal da legenda.
Na corrida por uma cadeira na Câmara dos Deputados, a dúvida envolve a permanência ou não no páreo dos deputados federais Júlio Delgado (PSB) e Marcus Pestana (PSDB). Os dois aparecem cotados para disputar o Governo de Minas. Com isso, ambos podem figurar não apenas como cabeças das chapas executivas, mas também como candidatos a vice-governador ou a senador. Além deles e da deputada federal Margarida Salomão (PT), que vai concorrer à reeleição, é considerada certa a presença no páreo do ex-secretário do Ministério dos Esportes, Wadson Ribeiro (PCdoB).
Ao grupo deve se juntar ainda o deputado estadual Lafayette Andrada (PSDB), que pode trocar Belo Horizonte por Brasília. Lafayette, assim como Pestana e Wadson, devem se valer da proximidade com o prefeito e do espaço na Administração para angariar votos governistas no município. Isso, claro, se o PMDB de Juiz de Fora for mesmo abrir mão de lançar nome próprio à Câmara dos Deputados, o que é considerado improvável.
