A mensagem do Executivo que propõe a criação de um cargo de provimento em comissão de chefe de departamento, além de três funções gratificadas de supervisão no Demlurb, retornou à pauta de votação da Câmara ontem. A apreciação do dispositivo, que tem por objetivo fortalecer ações de proteção e controle de animal, acabou adiada pela segunda vez, agora por pedido de vista do vereador Jucelio Maria (PSB). Apesar de se dizer favorável ao mérito da proposição, o parlamentar pediu mais tempo para se debruçar sobre o texto após discurso de José Emanuel (PSC), que defendeu que o departamento em questão não fosse lotado no Demlurb, mas na Secretaria de Meio Ambiente.
“Como defensor dos animais é evidente que vou votar favorável. Mas quero adiantar que isso não pode ser criado no Demlurb. Animal não é lixo. Isso tem que ir para o Meio Ambiente”, argumentou José Emanuel. O discurso do parlamentar ganhou eco em declarações de colegas como Léo de Oliveira (PMN), José Laerte (PSDB) e do próprio Jucelio. Líder do Governo, o vereador Luiz Otávio Coelho (Pardal, PTC) lembrou que ações relacionadas aos cuidados dos animais, como o Canil Municipal, já são de responsabilidade do Demlurb há 40 anos. Emanuel respondeu afirmando que “há 40 anos” protetores de animais vem questionando a prerrogativa.
O clima amistoso da discussão ganhou tons mais ásperos quando o viés eleitoral ficou latente. “Já sei até os nomes dos quatro. É tudo cabo eleitoral”, disparou José Emanuel. O vereador insinuou ainda que a alocação no departamento no Demlurb poderia favorecer o atual diretor-presidente do Demlurb, Marlon Siqueira. “Ele é um ‘supersecretário’. Está em todas as secretarias. Os candidatos do PMDB deveriam abrir o olho.” Filiado ao PMDB, o titular da pasta é apontado nos bastidores como provável candidato à Câmara. Líder do partido na Casa, Julio Gasparette respondeu ao colega. “Cada vereador que cuide de seu partido. Não se deve meter o bico no partido dos outros.”
