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‘Nenhuma denúncia foi comprovada’

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Exonerado na última semana da Secretária Nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social do Ministério do Esporte, Wadson Ribeiro retornou a Juiz de Fora para coordenar as ações políticas do PCdoB em Minas. Ele considerou as denúncias de irregularidades em convênios firmados pelo Ministério do Esporte, que levaram à sua saída e do ex-ministro Orlando Silva da pasta, como fruto de disputa política. "Nenhuma denúncia foi comprovada. Ninguém sabe porque o Orlando caiu. Falaram de esquema de propina. Isso nunca existiu." Quanto ao fato de o Instituto Cidade, ONG responsável pela execução do programa Segundo Tempo na Zona da Mata, ter em sua direção um filiado do PCdoB, Wadson alegou não ver conflito de interesses ou problema ético. "As pessoas têm liberdade para se filiarem ao partido que quiserem e votarem em quem bem entender. Não vejo como isso possa interferir na execução do programa." Para o ex-secretário, a presidente Dilma Rousseff acabou pautada pela onda de denúncias, "o que foi lamentável". Ainda assim, ele considerou como boa a relação do PCdoB com o Planalto após os episódios. "Não posso negar que há certa mágoa, mas continuamos no Governo."

Durante sua permanência no Ministério do Esporte, Wadson assinou cerca de 500 convênios com ONGs e órgãos públicos. A maioria desses procedimentos é hoje objeto de investigação do Ministério Público Federal, da Controladoria Geral da União (CGU) e da Polícia Federal, sob suspeita de desvio de recursos. O ex-secretário afirmou que apoia e colabora com a fiscalização e que, antes da crise, havia comandado uma força-tarefa do próprio ministério para auditar todos os convênios. Em relação específica ao Instituto Cidade, ele disse que havia um convênio assinado antes mesmo de sua chegada ao Ministério do Esporte. "O convênio com o Instituto Cidade foi renovado porque a Prefeitura de Juiz de Fora, na ocasião, não possuía certidão negativa de débitos e não podia celebrar convênio." Ainda conforme Wadson, em setembro desde ano, antes das denúncias virem à tona, o Governo local e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) assumiram os contratos do programa Segundo Tempo.

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Fins políticos

Os investimentos vindos para Juiz de Fora durante a gestão de Wadson no Ministério do Esporte também foram alvo de denúncias. Ele foi acusado de usar as ações para fins políticos, uma vez que foi candidato a deputado federal em 2010 e figura como pré-candidato a prefeito nas eleições do próximo ano. O ex-secretário negou viés eleitoral nas liberações de recursos para o município. "Como sou de Juiz de Fora e conheço a cidade, é natural que queira ajudar, mas não fizemos nada aqui em detrimento de outras cidades ou regiões. Chega a ser engraçado. Parece que saí do Governo não por erros, mas por ter levado investimentos para minha cidade." Sobre a questão eleitoral, ele alegou que as relações do Ministério são pautadas pela isenção política. "Liberei recursos para a Prefeitura de Juiz de Fora, que é governada por um prefeito do PSDB (Custódio Mattos ) que é candidato à reeleição. Como se vê, a acusação de beneficiamento político do PCdoB não faz o menor sentido."

Questionado sobre sua campanha para deputado federal em 2010, que contou com comitê na região central e muito material, Wadson respondeu ter feito "uma campanha de quem queria ganhar". "Fui candidato na condição de personalidade política nacional por ter passado pelo primeiro escalão do Ministério do Esporte. Isso tem um peso. Ainda assim, perdi a eleição por falta de recursos. Se tivesse a quantidade de recursos daqueles que foram eleitos, também seria eleito. Não tive recursos e nem a condição genética de alguns concorrentes." Para ele, sua campanha chamou atenção muito mais pelo fato de que ninguém esperava "muita coisa" de uma candidatura do PCdoB. "Acho que esperavam algo menor. As pessoas não conseguiram entender como o PCdoB conseguiu ter campanha." Wadson obteve 54.495 votos e ficou com a quarta suplência da coligação PT-PMDB-PRB-PCdoB.

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Com a coordenação do PCdoB de Minas

Fora do Ministério do Esporte, Wadson Ribeiro tem como incumbência coordenar o PCdoB em Minas. Paralelamente, comandará as articulações do partido na disputa eleitoral de Juiz de Fora. Nesse sentido, sua pré-candidatura à Prefeitura está mantida, mas condicionada ao comportamento dos demais partidos da base de sustentação do Governo da presidente Dilma Rousseff. "Se prevalecer a unidade, vamos caminhar juntos. Agora, havendo pulverização, vamos seguir com nossa candidatura."

Sua avaliação é de que a necessidade de renovação política ainda está na pauta do eleitorado juiz-forano. "Cerca de 80% da cidade querem mudança." Ele também quer aproveitar o período eleitoral para colocar o ponto de vista do partido nas discussões em torno do desenvolvimento de Juiz de Fora e da Zona da Mata. "Estamos há 12 anos com a administração tucana em Minas e, somente hoje, se fala da retomada da Zona da Mata. Por que demorou tanto? Essas questões devem ser trazidas ao debate."

Em relação à disputa proporcional, a aposta do PCdoB é coligar com alguma sigla do seu porte, mas também não descarta voo solo. O dirigente comunista reclamou, no entanto, da postura da Câmara de Juiz de Fora de não elevar o número de cadeiras. "Uberlândia terá 27 vereadores, mas Juiz de Fora preferiu manter apenas 19. O discurso é de contenção de gastos, mas os gastos não reduziram. Isso é fazer política provinciana."

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Questionado quanto ao possível uso eleitoral das denúncias envolvendo o Ministério do Esporte por parte dos adversários, Wadson disse que não vai se furtar à discussão. "Vamos para o debate. Não vamos nos acuar. Ninguém vai tirar o PCdoB do páreo no grito. Isso não."

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