A greve da Polícia Civil, deflagrada à meia-noite de ontem, contou com adesão da maioria dos policiais da Zona da Mata, de acordo com o diretor regional do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil (Sindpol), Marcelo Armstrong. Na delegacia de Santa Terezinha, em Juiz de Fora, assim como nas outras unidades da região, apenas 50% das atividades foram mantidas, sendo paralisados os trabalhos de intimação, investigação e retirada de boletins de ocorrência. O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de Minas Gerais (Sindepominas) divulgou nota informando que ainda não aderiu à greve, mas pediu aos associados que apoiem na medida do possível os demais servidores. Hoje, policiais militares e integrantes do Corpo de Bombeiros fazem assembleia e também podem cruzar os braços.
Estamos trabalhando só com medidas urgentes, como os flagrantes, crimes referentes à Lei Maria da Penha, expedição de medidas protetivas e aqueles que envolvem risco de morte, ressaltou Armstrong, lembrando que o movimento é por tempo indeterminado. Vamos aguardar o Governo mineiro nos chamar para a negociação de nossas reivindicações, cuja pauta foi entregue em setembro de 2010, sendo reforçada com um ofício em fevereiro deste ano, afirmou o sindicalista. Os policiais chegaram a paralisar suas atividades por 48 horas no início de abril e realizaram uma assembleia no último dia 29, decidindo pela greve caso não houvesse resposta do governador Antônio Anastasia (PSDB).
A Polícia Civil divulgou nota confirmando que as delegacias e demais unidades funcionaram em ritmo mais lento, mas ressaltou que todas abriram e não houve registro de incidentes. A direção da instituição não se manifestou sobre as reivindicações da categoria. A categoria reivindica principalmente a isonomia salarial dos investigadores e dos escrivães com os peritos criminais e médicos legistas, além de equiparação do salário de delegado ao de defensor público, que ganha 300% a mais com a mesma formação. Hoje, o delegado de Minas ganha o pior salário do Brasil, que é de R$ 5.700 o valor bruto, enfatiza Armstrong.
O sindicalista também destaca que as vagas criadas em novo concurso – 144 para delegado e 205 para escrivão – são insuficientes para cobrir o déficit de policiais, estimado em nove mil em todo o estado. Só em abril, o Departamento de Pessoal da Polícia Civil tinha 1.034 policiais para se aposentarem. Como essas vagas serão preenchidas?, questiona. Para o delegado titular da 6ª Distrital de Polícia Civil, Carlos Eduardo Rodrigues, existe a necessidade de uma nova lei orgânica para a classe. A que temos hoje vigora desde 1969 e vem sofrendo algumas modificações. Há um emaranhado de normas que não atende a realidade de hoje.
