Depois da Polícia Civil, agora é vez de os professores da rede estadual de ensino levantarem a possibilidade de retomar o movimento grevista, suspenso no final de setembro, caso não avancem as negociações com o Governo de Minas. Amanhã, em Belo Horizonte, as duas categorias, com o apoio dos servidores da saúde, fazem uma assembleia unificada para reivindicar, além das questões salariais e das pautas específicas de cada grupo, o pagamento imediato do prêmio por produtividade e o restabelecimento do atendimento no Ipsemg. O diretor do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil (Sindpol) da Zona da Mata, Marcelo Armstrong, afirmou que sairão dois ônibus de Juiz de Fora levando servidores para participarem da manifestação, entre policiais civis, agentes penitenciários e professores. Os docentes que atuam no município ainda farão, no mesmo horário, um ato público no Calçadão da Rua Halfeld.
No caso dos policiais, a classe poderá votar, na assembleia de amanhã, por uma radicalização da greve, com redução ainda maior no atendimento, de 50% para 30% do expediente, segundo Armstrong. Já em relação aos docentes estaduais, que cruzam os braços nessa quinta-feira, a principal indignação é quanto à proposta apresentada pelo Executivo, no final de outubro, modificando os percentuais de progressão na carreira do magistério. "A greve não foi encerrada, mas suspensa. Se o Governo não avançar nessa proposta, podemos, sim, retomar o movimento. Isso já está sendo discutido nas escolas, e a proposta causou indignação até em que não tinha aderido à greve antes. Isso significa que, se voltar, a mobilização pode ser ainda mais forte", declarou a coordenadora regional do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Victória de Fátima Mello.
De acordo com Victória, o Executivo estadual propôs reduzir de 22% para 5% o aumento salarial a que os professores têm direito a cada progressão em nível de formação (começando com o nível médio até chegar ao doutorado) e de 3% para 1% o reajuste relativo ao triênio da categoria. "Isso destrói a nossa carreira", protestou a dirigente do Sind-UTE. "Formação e experiência, na educação, são fundamentais. Só que o Governo viu que não tem como fugir do pagamento do piso e está tentando encontrar uma maneira de gastar o menos possível conosco. Acontece que um Governo que tem a preocupação permanente de economizar na educação é um Governo falido." Na última reunião da comissão formada após a suspensão da greve para dar continuidade às negociações, foi proposto que a Administração aplique o piso salarial para o magistério a todos os educadores de grau A (o primeiro nível na carreira) e discuta o restante dos graus de forma escalonada. O Governo estudará a proposta e apresentará sua posição na próxima reunião, no dia 16 de novembro.
