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Manifestação em apoio a Lula reúne milhares de pessoas em Juiz de Fora 

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Estudantes, integrantes de movimentos sociais e moradores de Juiz de Fora participaram, na noite dessa quinta-feira (8), de uma manifestação em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e em defesa de pautas relacionadas à democracia e aos direitos sociais. Organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o ato partiu da Ágora da instituição e percorreu mais de quatro quilômetros até o Parque Halfeld, na região Central da cidade. Segundo os organizadores, até 20 mil pessoas podem ter participado da mobilização.

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A manifestação ocorreu quatro dias após o primeiro turno das eleições presidenciais, no qual Lula foi o candidato mais votado em Juiz de Fora, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente do petista em Minas Gerais e no país. Os dois disputam o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Segundo o DCE, responsável pela organização do ato, o resultado eleitoral intensificou uma mobilização estudantil de alcance nacional, que reúne reivindicações relacionadas à educação, aos direitos sociais e à política.

O número de participantes, no entanto, ainda é incerto. Procurada pela Tribuna, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) informou que, seguindo orientações e normas vigentes durante o período eleitoral, não divulga estimativas de público. Já o DCE afirmou aguardar uma estimativa oficial, mas calcula que até 20 mil pessoas possam ter participado da manifestação.

A mobilização reuniu estudantes, famílias, integrantes de coletivos e outros moradores da cidade, ultrapassando a comunidade universitária. O ato foi acompanhado pela Guarda Municipal e ocorreu sem intercorrências registradas.

O objetivo do DCE, conforme explicou a organização à Tribuna, é ampliar a mobilização para além das universidades. “Precisamos estar nas ruas e nas redes, dialogando com a população, especialmente com quem não votou no primeiro turno e com quem ainda está indeciso”, afirmou o diretório.

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Entre as pautas defendidas pela entidade estão o fim da escala 6×1, a educação em tempo integral, mais orçamento para as universidades, a valorização das empresas estatais e uma política de soberania nacional que permita que as riquezas brasileiras sejam utilizadas em benefício do próprio povo, especialmente dos setores mais pobres.

Em Minas Gerais, a articulação mobiliza diretórios de diferentes universidades, por meio da União Estadual dos Estudantes (UEE-MG), e se estende a outras regiões do país, com a participação da União Nacional dos Estudantes (UNE). Embora tenha ganhado força após o primeiro turno, o movimento não surgiu durante a disputa eleitoral, conforme ressalta o DCE. “Essa articulação não começou agora”, afirma a entidade, que situa os atos em uma trajetória de defesa da universidade pública, do acesso à educação, da permanência estudantil e dos direitos da juventude.

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Em Juiz de Fora, Lula recebeu mais de 150 mil votos no primeiro turno e permaneceu como o candidato à Presidência mais votado no município. O resultado, entretanto, representou uma redução de cerca de 15 mil votos em relação a 2022, quando o petista obteve 167.048 votos, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No cenário estadual e nacional, Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa da disputa à frente do atual presidente.

Ao longo desta semana, diferentes instituições tiveram assembleias e manifestações. As mobilizações integram a articulação de entidades estudantis em diferentes regiões do país, em meio à campanha para o segundo turno das eleições presidenciais.

Manifestação em Juiz de Fora reuniu estudantes, famílias, integrantes de movimentos sociais e moradores da cidade, quatro dias após o primeiro turno das eleições de 2026 (Foto: Fernanda Castilho)

Diferentes gerações participam da manifestação

Aos 65 anos, Zélia Severino participou da manifestação dessa quinta-feira (8) motivada, segundo ela, por preocupações com o futuro dos dois filhos e cinco netos. A enfermeira aposentada acompanhou apenas o trecho do percurso realizado na região central de Juiz de Fora devido a problemas de saúde.

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Durante a pandemia de Covid-19, Zélia atuou no atendimento a pacientes e perdeu colegas de profissão e amigos para a doença. Ela também contraiu o coronavírus antes do início da vacinação no Brasil, em janeiro de 2021. Segundo a aposentada, a infecção desencadeou episódios recorrentes de trombose venosa, que contribuíram para sua aposentadoria e hoje limitam sua mobilidade.

A experiência profissional na saúde pública também é apontada por Zélia como um dos fatores que influenciam suas posições políticas. Mulher negra e servidora pública concursada, a enfermeira trabalhou na atenção primária e em hospitais, onde acompanhou situações de vulnerabilidade social.

“Cuidei e vi inúmeras crianças desnutridas, crianças que morreram com pneumonia e diarreia”, relembra. “Fui ontem porque sempre considerei que a política influencia em todas as áreas da nossa vida”, afirma Zélia, que também acompanhou a promulgação da Constituição de 1988 e a criação do Sistema Único de Saúde (SUS).

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Entre os participantes também estava a assistente de marketing Clara Xisto, de 26 anos, que compareceu à manifestação acompanhada da irmã, de 20, do primo, de 12, e do tio, de 52. Segundo ela, a participação em atos políticos faz parte da história da família, que costumava discutir o assunto em casa desde sua infância.

“Meus pais, mesmo que novos na época, acompanharam as manifestações pelo fim da Ditadura Militar, estiveram ativos na luta pelo impeachment do Collor, e desde muito novas eu e minha irmã entendemos que nossa participação política deveria ser ativa”, conta Clara.

Ela relata que participou, aos 17 anos, da greve geral contra a Reforma da Previdência e, aos 19, de manifestações contra cortes na educação pública. Agora, em 2026, compareceu ao ato ao lado da irmã mais nova, que cursa Física na UFJF. “Hoje vejo minha irmã, no segundo ano do curso de Física da UFJF, também ocupando esse espaço e lutando pela permanência de uma educação pública, gratuita e de qualidade para todos”, observa.

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