Provocou sua primeira polêmica ontem na Câmara o projeto do vereador Francisco Evangelista (PP) que restringe as intervenções no solo, no subsolo e na malha viária do Centro da cidade ao período que vai das 23h às 6h. Isso porque um outro projeto de lei, de autoria do vereador Isauro Calais (PMN), propõe justamente o contrário: que seja proibido qualquer tipo de obra, pública ou particular, entre as 22h e as 6h. As matérias colocam em conflito dois direitos dos cidadãos. No primeiro caso, Chico Evangelista busca, principalmente, uma solução para driblar os transtornos no tráfego de veículos, que comprometem mobilidade urbana durante o horário comercial. Já no segundo, a preocupação de Calais é quanto ao respeito ao descanso durante o período noturno, uma vez que o barulho atrapalha o sono dos moradores. A única coincidência é que ambas as propostas foram apresentadas devido a reclamações de juiz-foranos em relação à intervenção na Avenida Rio Branco.
Obras são importantes e podem ir das 6h às 22h. O que não pode é impedir as pessoas de descansar, argumentou Calais. Quero pedir à Mesa Diretora, inclusive, a convocação de uma audiências pública, com a participação de técnicos do setor, para mostrar que uma obra dessas, à noite, fica três vezes mais cara. Por sua vez, Chico argumentou que é necessário haver cronograma e programação, a fim de não atrapalhar o dia a dia das pessoas. Há trabalhadores ameaçados de perder o emprego porque moram na periferia e, por causa dos congestionamentos, não conseguem chegar a tempo no trabalho. Quero é buscar uma alternativa.
Nesse imbróglio, o líder do Governo na Casa, Noraldino Júnior (PSC), declarou que toda obra causa transtorno, mas, quando termina, traz benefício. Geógrafo, o vereador Roberto Cupolillo (Betão, PT) concordou com Isauro. Não vou entrar no mérito da obra da Rio Branco, porque senão teremos que discutir qual a sua necessidade. Mas quanto ao horário, não se pode comparar com Belo Horizonte, São Paulo ou Rio de Janeiro, onde os centros são basicamente comerciais. Em Juiz de Fora, há uma mistura de comercial com residencial.
