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Liberação de emendas não resolve crise

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A tentativa de afago do Governo federal à base aliada no Congresso ao anunciar a liberação de R$ 150 milhões em emendas parlamentares – notícia dada na última quinta-feira pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, Ideli Salvatti (PT) – não deve ter o efeito desejado para conter a crise política e a insatisfação de deputados e senadores com o Planalto. A esperança do Executivo é conter a insatisfação dos parlamentares aliados, que há alguns meses pedem a liberação dos restos a pagar de 2009 e de 2010 e o empenho das emendas de 2011. No entanto, o volume de recursos é considerado pífio frente aos cerca de R$ 2,5 bilhões não executados e que deixaram os legisladores e seus redutos a ver navios. Como a verba, distribuída por vários ministérios, precisa contemplar todo o Brasil, a expectativa de que parte desse dinheiro seja destinado a obras e programas pendentes em Juiz de Fora e Zona da Mata torna-se ainda menor.

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Dos legisladores da cidade, o deputado Júlio Delgado (PSB), por exemplo, reagiu com ceticismo e ironia ao ser questionado sobre suas impressões sobre o anúncio feito por Ideli. Já havia sido anunciado antes que seriam liberados R$ 250 milhões até setembro. Isso representa 10% do total de restos a pagar. De emendas minhas, estão retidos R$ 2 milhões. Dez por cento disso são só R$ 200 mil. E isso se todos forem atendidos ao mesmo tempo, destacou. Além disso, vai ficar a critério de quem definir o que será ou não executado? Da Ideli? Isso não acalma o sentimento de rebeldia, não sana a insatisfação dos eleitores que não foram atendidos em suas reivindicações e não resolve a crise política.

Se essa é a reação dentro da própria base, na oposição a medida foi recebida com mais indignação. Infelizmente, no Brasil, a governabilidade é garantida na base do ‘dando é que se recebe’, criticou o deputado Marcus Pestana (PSDB). É extremamente prejudicial para a democracia essa subordinação do Congresso ao Executivo, mas a maioria formada não está preocupada com projetos, mas sim com emendas e cargos. O tucano também aproveitou a deixa para questionar o molde petista de gestão. O Governo do PT tem um modelo de aparelhamento da máquina que é o principal responsável por essa crise profunda que levou à queda de quatro ministros em sete meses. E esse remendo de R$ 150 milhões visa a nada mais que conter a rebeldia e, principalmente, os temores. Ainda mais porque essa faxina feita em cima do PR deixou os demais partidos com a pulga atrás da orelha, analisou Pestana, referindo-se aos escândalos que derrubaram o ex-ministro dos Transportes e senador Alfredo Nascimento (PR-AM) e a cúpula da pasta. Espero só que o tratamento seja republicano e que a oposição não seja discriminada, alfinetou.

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