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Eleição para escolha de DCE começa hoje

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Tem início hoje o processo eleitoral para a composição do novo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFJF. A votação ocorre entre hoje e quinta-feira nas 20 seções eleitorais instaladas nos campi de Juiz de Fora e Governador Valadares, envolvendo 18 mil alunos aptos a votar (ver quadro). Seis chapas estão concorrendo no processo, defendendo demandas de interesse dos estudantes como a moradia e assistência estudantil, fortalecimento de empresas juniores, combate às opressões, entre outros temas. O grupo vitorioso será conhecido na madrugada do dia 8, assim que terminar a apuração das urnas. A posse será no dia 14 de julho.

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O pleito ocorre quase dois anos após o fim do mandato da última gestão do movimento estudantil. Em novembro de 2014, quando as eleições foram realizadas, a suspeita de fraude em uma urna instalada na Faculdade de Economia anulou o resultado do processo eleitoral. Membro da comissão eleitoral para conduzir o processo, o aluno de direito Igan Mainieri afirma que, dessa vez, há um cuidado extra para o registro dos mesários, a fim de evitar novos problemas. “As eleições de 2014 foram impugnadas porque não foi possível vincular a mesária que inseriu cédulas na urna a uma das chapas. Dessa vez, estamos fazendo o cadastro dos mesários, pegando os nomes indicados. Vamos ter o registro de qual mesário está em determinada sessão, por qual chapa ele foi indicado, sendo possível responsabilizar a chapa pelos atos dos mesários ao longo de todo processo eleitoral”, explica.

A respeito do prazo de vacância que se estabeleceu nos últimos dois anos, sem a representação oficial estudantil, Igan explica que o Conselho de Centros e Diretórios Acadêmicos (Concada) teve papel fundamental em alguns momentos. “O Concada foi chamado a atuar de maneira mais proativa, teve que suprir essa demanda que o DCE deixou”, explica. O conselho é o órgão máximo da representação estudantil dentro da universidade, assemelhando-se ao Conselho Universitário (Consu) da UFJF. Enquanto o DCE é uma instância executiva, o Concada é deliberativa, sendo necessária a convocação de pelo menos 50% mais um dos centros e diretórios acadêmicos de toda a UFJF para que haja quórum.

Entre as principais pautas defendidas pelo movimento neste período se destacam a moradia estudantil, a destinação de recursos para a permanência dos alunos na universidade, a segurança no campus, o combate às opressões, entre outros eixos. Cada uma das chapas apresenta em seu programa (ver quadro) uma série de bandeiras pelas quais deverá se empenhar junto à Administração Superior em um eventual mandato.

Discurso antipartidário toma o debate

Um fator que emerge como reflexo do cenário político nacional são as críticas à vinculação do movimento estudantil a partidos políticos. Historicamente, os movimentos se fizeram plataformas para que lideranças políticas se consolidassem, especialmente em momentos como o movimento Diretas Já e Fora Collor nas décadas finais do Século XX. Igan afirma que é possível estabelecer um equilíbrio dentro do movimento estudantil, pautando as demandas locais da UFJF e também as demandas sociais e políticas.

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“Em nível nacional, a gente enxerga o discurso do apartidarismo vindo com bastante força e sempre com ares de conservadorismo. Às vezes, as pessoas não têm uma visão saudável do que seja a política. Acham que é basicamente troca de interesses aqui e ali em torno de algum favorecimento, fraudes, caixa dois, e não é isso. É através dos partidos políticos que a gente luta pelos direitos que a gente acredita. Se não fossem os partidos políticos, não teríamos passado por uma redemocratização, estaríamos vivendo em uma ditadura militar até hoje”, observa.

Horizontalização

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O estudante, no entanto, pondera em relação à influência de organizações dentro do movimento. “Muitos grupos políticos tiveram sim os interesses dos estudantes sendo trespassados por ordens vindas de cima. Demandas da base não estavam sendo contempladas por causa dessas ordens, mas não é por isso que temos que ter rechaçar estas instituições. Temos que entrar nessas organizações, tentar entender as linhas de pensamento, debates, para que a gente possa intervir nessa realidade de uma forma eficiente”, afirma.

Um dos pontos reconhecidos em termos de organização dos estudantes no DCE é a horizontalização, ou seja, não há oficialização de cargos. “Quando este modelo de descentralização dá certo, em formato de rede de pessoas voltadas ao mesmo objetivo, fica muito mais difícil de se apropriar daquele movimento, tentar seduzir essas lideranças, atacar, obstruir. E isso é um reflexo do próprio WhatsApp, da utilização das novas mídias, tecnologias que permitem ter uma descentralização, em formato de rede e dinâmica. É muito difícil parar um grupo que só tem uma cabeça.”

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