Comprados ao custo de R$ 47.936, com promessa de otimizar os trabalhos legislativos e gerar economia para a Câmara Municipal, os tablets não caíram no gosto dos vereadores. Passado pouco mais de um ano desde a aquisição dos equipamentos, todos os procedimentos durante as sessões da Casa permanecem amparados no uso irrestrito de papel, mesmo com todo material disponível no formato digital. Prova do desperdício é a impressão da ordem do dia, colocada em cada uma das 19 cadeiras da Casa antes do início das reuniões, com o resumo das matérias em votação. Com o tablet em mãos, bastaria apenas três toques na tela para ter acesso ao documento, a partir do qual seria possível visualizar o inteiro teor de cada proposta em discussão, bem como dos pareceres das comissões temáticas.
A diretora geral do Legislativo, Maria Aparecida Fontes Cal, informou que toda documentação está disponível no site da Casa para uso interno e externo. Quanto à possível economia de papel, ela disse ser ainda necessário ampliar o processo de informatização, com disponibilidade de equipamentos também para servidores. De fato, todo trabalho dos técnicos legislativos realizados durante as sessões não sofreu alteração desde a implantação do processo de "modernização do setor de informática" iniciado durante a gestão do ex-vereador Carlos Bonifácio (PRB). Na ocasião, além dos tablets, foram adquiridos também 19 notebooks, ao custo de R$ 29.450, para contemplar os 19 parlamentares municipais de Juiz de Fora. Esses aparelhos, no entanto, foram destinados aos gabinetes, principalmente na substituição de máquinas defasadas.
A Tribuna acompanhou as sessões do último período legislativo para verificar a frequência do uso dos tablets. No período em que a equipe de reportagem esteve no Palácio Barbosa Lima, apenas o vereador Roberto Cupolillo (Betão, PT) acessou o equipamento, que não foi sequer visto junto aos pertences dos demais membros da Casa. Durante todas as sessões, foi possível verificar a disponibilidade de rede sem fio de acesso à internet, que torna desnecessário gastos extras para contratação de planos de telefonia 3G.
Exemplo
Em Brasília, desde o início do ano, os deputados federais também fazem uso de tablets durante as sessões. Pelo novo equipamento, cada parlamentar pode acessar, em tempo real, a pauta das votações, o texto do projeto, as emendas à proposta, os requerimentos apresentados e todo o encaminhamento da sessão. De quebra, também podem acessar seus e-mails e sites na internet. A Câmara comprou 539 tablets para atender ao plenário e a algumas unidades da Casa, ao custo de R$ 609 mil no total, segundo informação da direção-geral da Câmara. Os aparelhos foram fixados nas 396 bancadas existentes no plenário, e cada legislador tem uma senha para acesso. Além disso, foram disponibilizados equipamentos em cada uma das duas tribunas onde os deputados discursam e quatro na mesa da presidência.
Muitas comissões da Câmara dos Deputados já haviam implementado o uso de computadores nas bancadas, reduzindo significativamente o gasto de papel. A expectativa da Câmara é de obter " uma economia brutal de papel" como, por exemplo, das publicações que são distribuídas com todo o histórico do projeto. Os impressos ficam em pilhas na entrada do plenário para que o deputado saiba o que está em votação.A medida é semelhante a adotada no Senado, onde os tablets também foram utilizados para reduzir os gastos com a impressão de documentos. Segundo informações do próprio Senado, houve uma redução de 61% nos gastos com impressões, trazendo uma economia total de R$ 1,85 milhão.
