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Marcus David vence na UFJF

ao lado de girlene da silva marcus david fala sobre quais serao seus primeiros atos a frente da universidade marcelo ribeiro05 02 16

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Ao lado de Girlene da Silva, Marcus David fala sobre quais serão seus primeiros atos à frente da universidade (MARCELO RIBEIRO/05-02-16)

Ao lado de Girlene da Silva, Marcus David fala sobre quais serão seus primeiros atos à frente da universidade (MARCELO RIBEIRO/05-02-16)

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Após oito anos de gestão Duque e um ano e quatro meses de Júlio Chebli, o grupo de oposição aos dois ex-reitores é eleito para conduzir a UFJF pelos próximos quatro anos. O professor da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis Marcus David e a professora de enfermagem Girlene da Silva foram os nomes eleitos por alunos, técnicos e professores na madrugada de ontem. Ambos compuseram a chapa 1, que alcançou 57,42% dos votos no segundo turno contra 42,58% de Dimas Augusto e Hélio Antônio, da chapa 3. Os candidatos disputaram pela segunda vez a cadeira de reitor da UFJF, ficando em segundo lugar em 2014, com 36%. À época, foram vencidos por Júlio Chebli no primeiro turno, nome apoiado por Duque. Agora, o nome dos vencedores encabeçará a lista tríplice que será encaminhada pelo Conselho Universitário (Consu) ao Ministério da Educação (MEC). A reunião em que deverão ser indicados os nomes acontecerá na semana após o Carnaval.

Sustentando uma visão otimista, baseada numa gestão de transparência e participação da comunidade, Marcus David, no entanto, deverá se deparar com dificuldades na condução da instituição, muitas que inclusive devem exigir uma postura imediata. A UFJF atravessa um cenário de restrição orçamentária e financeira como as demais universidades brasileiras, sem recursos para manutenção e obras. Além disso, está na mira dos órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Federal (MPF), com questionamentos sobre obras como Hospital Universitário (HU) e do Campus de Governador Valadares, enfrentando a exigência de instalação de pontos eletrônicos para seus servidores.

Durante a campanha, o candidato teceu ferrenhas críticas ao modelo de gestão de Duque e Chebli. Criticou a falta de transparência em relação à situação financeira, apontou para a necessidade de medidas emergenciais para garantir a estrutura de cursos da UFJF nos campi de Juiz de Fora e Governador Valadares, classificou de “personalista” o modelo de gestão que até então vigorava na instituição. “Vamos substituir qualquer critério baseado em uma política menor por critério de mérito acadêmico e também de racionalidade administrativa. A alocações de recursos será feita com base em editais, o orçamento será discutido com a comunidade”, destaca.

Por segmento

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Nos dois turnos da disputa, David venceu entre os três segmentos. Entre os técnicos, obteve 631 votos contra 574 de Dimas, em um total de 1.269 votantes. Brancos e nulos somaram 64 votos. O percentual final no segmento, portanto, foi 52,37% para a chapa 1 contra 47,63% da chapa concorrente. Já entre os professores, David venceu com 784 votos, contra 525 de Dimas. Brancos e nulos entre os docentes somaram 63. O percentual, foi de 59,89% para a chapa 1, contra 40,11% da chapa 3.

Entre os alunos, Marcus David obteve a maior vantagem entre os segmentos. A chapa 1 recebeu 4.330 votos contra 2.481 da chapa 3. Enquanto o candidato vencedor ficou com 63,57% dos votos, Dimas alcançou 36,43% entre os discentes. Brancos e nulos somaram 289 votos. No segundo turno, a abstenção novamente foi destaque entre os estudantes. Quase 70% dos alunos se abstiveram, já que apenas 7.100 votos foram registrados do universo de 22.376 aguardados. Entre professores e técnicos, a abstenção foi menor, respectivamente 21,19% e 22,09%.

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Dimas e Hélio

Em nota enviada à Tribuna, os candidatos Dimas e Hélio, da chapa 3, agradeceram o voto da comunidade acadêmica em Juiz de Fora e Governador Valadares nas urnas e afirmam que os compromissos não se encerraram com o fim da consulta. “Continuaremos focados e vigilantes para que a Universidade Federal de Juiz de Fora caminhe com responsabilidade, competência e respeito”. Além disso, desejaram sucesso a Marcus David e Girlene, sugerindo uma gestão eficiente, pautada no diálogo. “A UFJF vive um momento que exige de todos nós mais empenho e absoluta seriedade e, atentos, vamos contribuir para que ela supere esta fase e tenhamos todos um futuro de otimismo”, finaliza.

Entrevista

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‘Não houve comprometimento de cargos’

Ao final da apuração dos votos, na sede da Associação de Docentes de Ensino Superior de Juiz de Fora (Apes), o futuro reitor conversou com a Tribuna e explicou quais serão os passos iniciais da sua gestão, tão logo seja nomeado pelo MEC. Ele falou dos critérios para a indicação de nomes para as pró-reitorias e diretorias e explicou a sua relação com o grupo da chapa 2, que prestou apoio no segundo turno da consulta acadêmica.

Tribuna – Qual será o primeiro passo para se “reconstruir a UFJF”?

Marcus David – Um grande diagnóstico da situação orçamentária e financeira e de todas as obras inacabadas da universidade. Além disso, há uma série de medidas emergenciais que não podem esperar. Temos medidas que precisam ser tomadas em Governador Valadares, que ameaçam o funcionamento e a continuidade de alguns cursos. Em Juiz de Fora, há cursos criados sem estrutura, como a medicina veterinária. Queremos fazer este amplo diagnóstico, mas sem perder de vista ações emergenciais que precisam de respostas rápidas.

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-Já se discutiram critérios para a escolha da equipe?

-Nós nos orgulhamos de ter conseguido conduzir todos os dois processos eleitorais sem, em nenhum momento, ter pautado qualquer discussão sobre comprometimento de cargo. Isso nos deixa absolutamente livres para as escolhas compatíveis com os interesses da instituição. Vamos identificar as pessoas mais preparadas, comprometidas com esse projeto de reforma da gestão.

– Nomes da chapa 2, que demonstraram apoio no segundo turno, podem ser acolhidos?

-O processo de aproximação com a chapa 2 foi o da melhor política que existe. Uma discussão que se deu apenas sob aspectos de convergência de programa, aspecto de rompimentos que precisavam ser feitos dentro da universidade. Foi o que marcou o nosso diálogo. Entendemos que após as convergências programáticas que tivemos e as propostas comuns de rompimento, eu acho que é possível continuar caminhando com esse grupo.

-Como analisam a situação da UFJF em meio à cobrança dos órgãos de controle?

– A universidade tem que passar credibilidade para os órgãos de controle. Eles têm que ter segurança de que a UFJF está trabalhando dentro dos princípios da legalidade e visando a eficiência, a impessoalidade. Os órgãos não podem desconfiar da obediência aos princípios constitucionais. Se eles tiverem essa segurança, a relação será muito mais tranquila.

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