Atualizada às 19h12
Trabalhadores de Juiz de Fora se reuniram em protesto nesta terça-feira (5) contra as reformas do Governo federal, em especial a reforma da Previdência que pode ser votada pelo Congresso Nacional na próxima semana. Na ocasião, também foram apresentadas reivindicações locais, como o andamento da campanha salarial de servidores municipais com a Prefeitura (PJF), que já se arrasta há quase um ano. O ato foi organizado pelo Fórum Sindical e Popular, constituído por sindicatos e movimentos sociais, que decidiu manter a mobilização na cidade mesmo após o recuo das centrais sindicais no âmbito nacional, que aboliram a convocação de greve geral, inicialmente agendada para esta terça-feira em todo o país.
Técnicos administrativos da UFJF, policiais civis, bancários, estudantes e outras categorias também integraram o movimento que ocorreu de forma pacífica e foi acompanhado pela Polícia Militar, que não quis estimar o público presente. De acordo com os organizadores, cerca de duas mil pessoas participaram da manifestação.
A adesão ao ato chegou a 100% dos trabalhadores da Empresa Municipal de Pavimentação e Urbanização (Empav); 80% dos professores da rede municipal e dos funcionários lotados na Secretaria de Obras; 70% dos funcionários das creches; 30% dos servidores da Saúde; e 10% dos trabalhadores da Demlurb, conforme dados repassados pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserpu) e o Sindicato dos Professores (Sinpro). A PJF estimou que 30% dos servidores municipais aderiram ao movimento, e que não houve prejuízo na oferta de serviços à população.
A mobilização começou por volta das 10 horas na Praça da Estação, no Centro, onde representantes de sindicatos e movimentos sociais discursaram. Em seguida, o público presente saiu em passeata pela Rua Halfeld em direção à Câmara Municipal. Com bandeiras, faixas e instrumentos de percussão, os trabalhadores entoaram cantos contra as reformas. No trajeto pelo Calçadão, eles receberam a aprovação de transeuntes que gritaram “Fora Temer”.
O trânsito nas avenidas Getúlio Vargas e Rio Branco foram interrompidos por alguns minutos. A caminhada seguiu pela Rua Santo Antônio em direção à Marechal Deodoro, em frente à sede da Previdência Social. O local foi ocupado por parte dos manifestantes por, aproximadamente, 20 minutos. No lado de fora, os discursos tiveram continuidade. O ato foi encerrado pouco antes das 13h.
Votação
Durante os discursos na Praça da Estação, os servidores municipais votaram a proposta de reajuste oferecida pela Prefeitura em reunião realizada na última segunda-feira (4). De acordo com Sinserpu, o texto prevê o reajuste pelo IPCA no período e o parcelamento da correção do 13º salário. Na deliberação, a reposição pela correção inflacionária foi aprovada, mas a forma de pagamento não. Desta forma, as categorias devem apresentar uma contraproposta na próxima reunião, agendada para quinta-feira (7). A PJF informou que ofereceu “o percentual de reajuste de 6,29%, referente ao IPCA do período de janeiro a dezembro de 2016, para os professores. Para as outras categorias, a proposta é de 4,96%, referente ao IPCA do período de fevereiro a dezembro também de 2016. O pagamento acontecerá no mês subsequente à aprovação da proposta.”
Fórum Sindical defende união de trabalhadores
Destacando os impactos das reformas do Governo para a população, os representantes do Fórum Sindical e Popular pediram a união da classe trabalhadora. “Mantivemos o movimento, apesar do recuo das centrais nacionais, pelo entendimento de que é extremamente importante estar junto com os trabalhadores e toda a comunidade. A nossa intenção é manter a nossa luta, nossa unidade para, se for preciso, fazer a greve geral”, afirmou a coordenadora-geral do Sinpro, Aparecida de Oliveira. “A Reforma da Previdência é uma violação de direitos. Se o Congresso votar, o país vai parar. Os trabalhadores devem estar unidos”, declarou o presidente do Sindicato dos Bancários, Watoíra Antônio de Oliveira.
De acordo com o diretor de comunicação do Sinserpu, Joaquim Tavares, o objetivo do ato é pressionar os deputados a não colocarem a reforma em pauta. “Junto com a Federação dos Servidores Públicos (Feserp), percorri as bases sindicais de Minas, Goiás e Distrito Federal. O que observamos é que, até agora, a votação da Reforma da Previdência não ocorreu por falta de quórum, mas na primeira oportunidade que eles tiverem, isto vai acontecer. A única forma de frear esta votação é a participação popular em movimentos como este.” O presidente do Sinserpu, Amarildo Romanazzi, também citou as reivindicações locais. “A nossa mobilização também discute a questão da campanha salarial dos servidores municipais, o que nos deu mais um motivo para ir para as ruas mesmo com o recuo das centrais nacionais.”

