O contrato do Instituto Cidade com o Ministério do Esporte para execução do programa Segundo Tempo virou alvo de uma representação do diretório do PSDB de Belo Horizonte junto à Procuradoria da República em Minas. O presidente do tucanato da capital mineira, deputado estadual João Leite, entregou ao procurador-chefe da República de Minas Gerais, Adailton Ramos do Nascimento, na manhã de ontem, pedido de investigação e instauração de inquérito e ação civil pública contra quatro entidades sediadas no estado responsáveis pela execução do Segundo Tempo, considerado carro-chefe da pasta e alvo das denúncias de corrupção que derrubaram o ministro Orlando Silva. Além do Instituto Cidade, que tem sede em Juiz de Fora, o PSDB pede que outras três instituições sejam investigadas. São elas o Ethos Instituto de Educação, localizado em Coronel Fabriciano, no Vale do Aço; a Associação Nacional de Apoio aos Municípios, com sede em Timóteo, também no Vale do Aço; e a Fundação Conscienciarte, de Paracatu, Noroeste de Minas. O Ministério Público vai encaminhar a representação para as unidades nos municípios.
Na representação, o deputado alega que essas entidades receberam milionários repasses de recursos públicos federais através do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, e são alvo de denúncias por diversas irregularidades. No caso do Instituto Cidade, o documento menciona a possível proximidade da entidade com o secretário Nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social, do Ministério do Esporte, Wadson Nathaniel Ribeiro (PCdoB). Dentre as irregularidades elencadas por João Leite estariam a duplicidade de nomes de alunos atendidos, contratos suspeitos com fornecedores e atendimento aos beneficiados abaixo da meta. Os mesmos problemas foram denunciados pela Tribuna no último mês. Nos últimos cinco anos, foram repassados mais de R$ 13 milhões para programas e produção de materiais esportivos no município, dos quais R$ 9,4 milhões foram destinados ao Instituto Cidade, que tem como dirigentes filiados ao PCdoB.
Para Wadson, não há nada a temer em relação ao convênio do Ministério do Esporte com o Instituto Cidade. As denúncias que levaram à saída de Orlando Silva e que ainda sobrevoam a pasta, na sua avaliação, envolve disputa política. Ele lembra que a entidade firmou o primeiro convênio para execução do Segundo tempo em Juiz de Fora por conta da ausência de certidão negativa por parte da Prefeitura na ocasião. Do contrário, o município ficaria de fora do programa. Wadson negou vínculo do instituto com seu partido e lembrou que a maioria dos convênios são firmados com prefeituras, como acontece atualmente com Juiz de Fora. Dos 232 convênios que existem hoje no ministério, 213 são com prefeituras. São prefeituras de diversos outros partidos, incluindo o PSDB em Juiz de Fora.
