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Polarização é ameaçada pela 1ª vez

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Lá se vão 20 anos desde que Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi eleito presidente da República com 34.377.198 de votos, no dia 3 de outubro de 1994. Ex-ministro da Fazenda do Governo Itamar Franco, FHC foi o principal herdeiro eleitoral da estabilização da moeda a partir da adoção do Plano Real, em 1º de julho daquele ano, e superou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda no primeiro turno, com 54,3% da votação válida. Com 27% do eleitorado, Lula voltou a ser o segundo mais lembrado em um pleito presidencial – o que já havia acontecido em 1989, quando perdeu para Fernando Collor (PTB), então no PRN, no segundo turno. Aquele foi o primeiro capítulo da disputa entre tucanos e petistas pelo Palácio do Planalto que polarizou as quatro eleições subsequentes e mais uma vez será colocada à prova hoje, entre 8h e 17h, quando cerca de 142 milhões de eleitores em todo o país estarão aptos a comparecerem as urnas.

Em 1998, Fernando Henrique voltou a vencer Lula no primeiro turno. O troco veio em 2002, quando o ex-líder sindical suplantou José Serra (PSDB) nas urnas, feito repetido em 2006, contra Geraldo Alckmin (PSDB). Quatro anos depois, Lula fez aquilo que FHC não conseguiu e viabilizou Dilma Rousseff (PT) como sua sucessora, em mais um revés de Serra. Os embates consolidaram a polarização entre petistas e tucanos, assim como alianças históricas com partidos como o PMDB e o DEM (o antigo PFL) respectivamente, que se repetiu nas disputas de poder em vários governos estaduais e prefeituras país afora. Duas décadas depois, o cenário pode ganhar novos contornos com Marina Silva (PSB) disputando voto a voto a vaga no segundo turno com Aécio Neves (PSDB), enquanto a presidente Dilma Rousseff (PT) ainda nutre esperanças de se reeleger ainda no primeiro turno.

Em aberto

Nunca antes nas últimas cinco eleições a polarização esteve tão ameaçada. O que se discutia, em 1994 e 1998, por exemplo, era se Lula teria força eleitoral para forçar um segundo turno contra FHC, o que nunca aconteceu. A partir de 2002, os petistas conseguiram inverter o cenário, com três vitórias consecutivas: duas de Lula e uma de Dilma, sempre com os tucanos avançando ao segundo turno. O cenário atual, entretanto, está em aberto. Ao menos é o que apontam as pesquisas de opinião de voto divulgadas nos últimos dias. No que depender destes levantamentos, a possibilidade de uma terceira força, capitaneada por Marina, chegar ao segundo turno é real, apesar de a curva descendente apresentada pela ambientalista nas últimas consultas.

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Entre 29 de agosto e 2 de outubro, a candidata do PSB despencou de 34% das intenções para 24% de acordo com o Datafolha. A queda visível deu novo fôlego a Aécio, que chegou a parecer carta fora do baralho, mas recuperou seis pontos percentuais no mesmo período, empatando tecnicamente com a candidata socialista, acima da casa do 20% segundo o instituto. Em um recorte que acirra a briga entre PSB e PSDB, a candidatura do PT lidera tranquila, próxima dos 40%, e ainda alimenta a esperança de vitória do primeiro turno, algo que seria inédito para a legenda, já que nem mesmo Lula conseguiu ter sucesso em tal objetivo. A favor de Dilma, o fato de que, desde que a reeleição foi implantada por FHC a partir de 1998, sempre que um presidente disputou um segundo mandato, saiu triunfante em seu objetivo.

Morte de Campos divide disputa em dois momentos

O cenário atual em que as urnas podem delinear muitos destinos – como a manutenção ou não da polarização entre petistas e tucanos ou mesmo a vitória de Dilma no primeiro turno – foi desenhado pelas “mãos” do imponderável. O atual pleito divide-se visivelmente entre antes e depois de 13 de agosto. Foi nesse dia em que um acidente aéreo ceifou a vida de Eduardo Campos, então candidato à Presidência pelo PSB. A fatalidade virou o tabuleiro eleitoral de cabeça para baixo e o reposicionamento das peças nunca mais foi o mesmo.

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Na última pesquisa Ibope antes da tragédia, Dilma liderava com 38% – hoje, com 40%, a presidente cresceu dentro da margem de erro em dois meses -, seguida por Aécio, que amealhava 23% dos entrevistados. Campos aparecia como terceira força, com 9%, e, aparentemente, pouco potencial para ameaçar a polarização entre PT e PSDB. A queda do avião e a entrada de Marina na disputa – com um viés messiânico, já que a própria candidata chegou a a falar em “providência divina” – ocorreu em um turbilhão de fatos e emoções.

Com um espólio eleitoral de cerca de 20% dos votos válidos nas eleições de 2010, Marina ultrapassou a casa dos 30% das intenções de voto, chegando a estar empatada com Dilma na liderança nas primeiras pesquisas após a morte de Campos, entre o final de agosto e início de setembro. O cenário forçou as três principais candidaturas a realinharem seus discursos. Marina e Aécio passaram a defender a manutenção de avanços sociais observados nos 12 anos do Governo do PT, como o “Bolsa família”, por exemplo. Por outro lado, Dilma passou a vender a mensagem de que, apesar de estar no poder, é a única capaz de promover as mudanças necessárias para o país.

Agora, só as urnas poderão dizer qual o poder de convencimento do trio e das candidaturas com menores intenções de voto como as de Luciana Genro (PSOL) e Eduardo Jorge (PV), que ganharam destaque nas redes sociais e nos debates televisivos, além de Pastor Everaldo (PSC), Zé Maria (PSTU), Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB), Mauro Iasi (PCB) e Rui Costa Pimenta (PCO).

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