
Pela primeira vez, duas mulheres foram as candidatas mais votadas para compor a Câmara Municipal de Juiz de Fora. Ambas tiveram votação recorde na história do Legislativo: a delegada Sheila Oliveira (PTC), que recebeu 9.921 votos, e a vereadora Ana Rossignoli (PMDB), com 7.300 citações. Elas superaram a marca recorde obtida há oito anos pelo chefe do Executivo, Bruno Siqueira (PMDB), eleito para a legislatura 2009/2012 com o apoio de 6.483 eleitores. No caso de Ana Rossignoli, o número de votos conquistado nesta eleição foi mais que o dobro conseguido por ela nas eleições de 2012, quando 3.080 pessoas a escolheram, e foi quatro vezes maior que 2008, quando se elegeu, pela primeira vez, com 1.792 votos.
O desempenho de Sheila Oliveira, 37 anos, surpreendeu. Nascida em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, a vereadora eleita conta que nunca se imaginou na política, mas ao ver a situação da segurança pública se sentiu no dever de representar o setor. “A gente fica tão chateada com a situação de abandono que a segurança pública está passando e não temos nenhum representante para brigar pela segurança pública, pela vinda de recursos. Então, eu recebi alguns convites de partidos para me filiar e vi uma possibilidade no PTC de alcançar uma cadeira no Legislativo.” Sheila é delegada há dez anos, sete deles atuando em Juiz de Fora.
A delegada, que é mãe de um filho de 9 anos e trigêmeos de 7, não contava com uma votação tão expressiva. “Esperava, no máximo, 3.900 votos.” Como representante da mulher no Legislativo, diz que pretende atuar na prevenção de mulheres vítimas de crime violento. “Em Juiz de Fora existe essa política. Ela é boa, mas precisa ser ampliada, precisa funcionar 24 horas.” Sobre a segurança pública, fala em atuar na prevenção. “O município deve ter um papel importante na prevenção, realizando projetos sociais voltados para crianças e adolescentes. Também já existem vários projetos de recuperação de dependentes químicos ligados à igrejas que eu pretendo incentivar a ampliação. Também quero atuar na ressocialização de detentos.”
Apesar da eleição de Sheila e Ana Rossignoli, o cientista político da UFJF, Fernando Perlatto, afirma que o Legislativo tem sub-representação de mulheres. “Mesmo hoje tendo essa pressão para que os partidos e coligações tenham mulheres, elas são convidadas a participar, mas não têm o fortalecimento de suas candidaturas.” Em relação ao Executivo, Perlatto afirma que a representatividade feminina é mais significativa. “Por exemplo, em JF, temos a Margarida Salomão indo pela terceira vez para o segundo turno. Dos sete candidatos, três eram mulheres.”
O cientista político enfatiza que a presença de mulheres no Legislativo não significa necessariamente o empoderamento das mulheres. “É claro que as mulheres estarão representadas, porém, a agenda que essas duas candidatas trabalham não é a agenda da mulher. A Ana já havia sido bem votada (em 2012) e teve esse crescimento. No caso da delegada, ela trabalhou fortemente a segurança pública.”

